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1- Ali você acaba
de retornar de uma turnê internacional. Como é a experiência de ministrar
aulas e dançar no exterior? Há desvantagens?
Olá Luciana, primeiramente quero
parabenizar a sua iniciativa e interesse de estar buscando estas informações
sobre a dança árabe e profissionais, para estar repassando tudo isto a todas
as pessoas e também quero agradecê-la por me convidar para participar de sua
entrevista! Obrigado!
Dançar no exterior é sempre uma
grande experiência para um bailarino, não importa qual seja o país, a
experiência sempre é muito válida.
Na Europa me deparei com alunas muito
“sedentas” de aulas, muito interessadas e esforçadas em aprender, lá elas se
interessam mais pelo estilo “fantasy”, fusões e utilização de acessórios de
grandes efeitos em palcos, tais como: Fan Veil, Véu Wings, Véu Poi, Fire
Dance, etc. e também, em fusões árabes com vários outros estilos de danças e
estilos modernos.
A cerca de uns dois anos pra cá, o
interesse pelo estilo clássico e folclórico vem aumentando a cada dia, mas a
meu ver, ainda o que mais as agrada são os estilos citados acima.
Como eu disse é muito interessante
observar a leitura e interesse pela dança diferenciado de um país para o
outro, em relação às alunas estrangeiras, as “dificuldades” são completamente
diferentes das alunas brasileiras.
Nos Shows também encontramos um
público completamente diferente, do qual estamos acostumados no Brasil, lá as
pessoas se vestem muito bem em belos e elegantes trajes para irem ao teatro
assistir o Espetáculo! E o interessante é que enquanto o bailarino dança,
ocorrem aplausos durante a apresentação, na realização de determinado passo
ou evolução!
Isto ocorre para demonstrarem a
apreciação que estão sentindo, o público também é muito pontual e atento a
tudo!
Valoriza, prestigia e respeita
muito o artista!
Também muito importante é o contato
com outros artistas internacionais, ocorre uma grande troca, de informações e
grandes amizades!
Desvantagens é difícil dizer, isto
depende muito do país e do organizador, o mundo da dança internacional é
muito diferente do que estamos acostumados no Brasil!
Possuímos uma leitura e interpretação
musical muito diferenciada, o que é muito valorizada no exterior!
Dependendo do país pode ocorrer em um
workshop um número muito pequeno de alunos, por exemplo: 15!
Mas isto em alguns países é
considerado um Workshop lotado!
2- Seus estudos no
Brasil iniciaram de que maneira? Qual sua trajetória pelas danças orientais?
Comecei a dançar dança cigana muito
cedo, com 7 anos, sou descendente de ciganos pelo lado materno e isto
influenciou muito a minha carreira, já a família do meu pai que são
descendentes de russos também sempre realizaram festas com muita dança, na
adolescência comecei a participar de apresentações de danças ciganas com
minha irmã, mais tarde conheci o mundo árabe através do restaurante ,
Bagdád Café em Curitiba, virei cliente assíduo do local e as bailarinas
sempre me tiravam para dançar, um dia o proprietário do local, o Sr. Adnan me
viu dançando com uma bailarina e me convidou para estagiar na casa, fiquei
surpreso e com muito medo de fazer feio, comentei com ele que eu não sabia
dançar ritmos árabes, somente dança cigana, mesmo assim ele insistiu e
comecei a estudar através fitas de vídeo VHS e estagiar na casa!
Quando iniciei era muito mais difícil
estudar dança árabe masculina, pois havia pouquíssimos bailarinos árabes,
recorríamos às antigas fitas de vídeo VHS, trazidas do Egito e Líbano por
árabes e bailarinas e também ficávamos “no pé” dos árabes em festas, para nos
ensinar um passo ou outro de dança!
Foi então que recebi o convite para
estudar e participar da fundação Grupo Folclórico Árabe Raiaton Mina Shark,
fundado por Cintia Muraro e Hassan Ali Bassan em Curitiba-PR, o convite foi
perfeito, pois a Cintia e o Hassan eram professores maravilhosos e a proposta
do grupo era muito boa, realizamos vários espetáculos e muitas horas de
ensaios e estudos, pois eles são professores muito rígidos e disciplinados, o
que foi muito importante para a minha formação!
Após alguns anos, trabalhando e
estudando dança em Curitiba, mudei para São Paulo onde resido até hoje, fiz
seleção para o Alibabar e continuarei a estudar dança eternamente!
Estudei folclore árabe, dança cigana,
flamenco e balé , e durante isso, possuía uma agenda de shows lotada!
Esta foi toda a base e começo dos
meus estudos em resumo!
Mas costumo sempre dizer que para um
artista, seja ele de qualquer área o estudo é ETERNO!
3- Ser homem e
dançar. Houve dificuldades e preconceito?
Eu nunca me importei muito com isso!
É claro que enfrentei um pouco de
preconceito, mas foi muito menos do que eu imaginava encontrar, procurei
conquistar o público desde o início, sempre desenvolvi um trabalho muito
sério e com muita ética e o resultado de tudo isso foi um grande respeito e
admiração do público em geral, inclusive das comunidades árabes e ciganas,
das mais modernas as mais tradicionalistas, as dificuldades que encontrei foi
estudar, eu era um aluno muito sedento por informações e na época em que
comecei era muito mais difícil estudar, pois quase não existiam bailarinos e
professores, então nos virávamos como podíamos.
4- Qual
a sensação de integrar a Lulu Sabongi Company? Conte-nos a rotina de treinos,
shows e como você ainda tem tempo de aperfeiçoar seus estudos.
O grupo Lulu Sabongi Company nasceu
de um ensaio para um programa de TV, a Lulu ligou me convidando para
participar de um ensaio e é claro que eu aceitei, pois a Lulu além de uma
grande amiga minha é uma grande mestra!
A considero um grande ícone da dança
oriental.
Devido o grupo ser constituído por
profissionais muito requisitados, o tempo para ensaios e treinos é muito
pouco e difícil, pois a agenda de todos é sempre lotada, mas sempre que
podemos organizamos algo, futuramente haverá novidades! Aguardem!
Quanto aos meus estudos, continuo
estudando vídeos e me estudando sempre! Sou muito exigente comigo mesmo,
participo de workshops e “troco figurinhas” com bailarinos amigos meus,
sempre que posso!
O estudo para um bailarino deve ser
eterno! Senão acabamos estacionando no tempo!
Ano que vem irei ao Egito, para
estudar muito! |
5- Dentre as diversas profissionais de
dança que trabalham atualmente no mercado, houve ou há alguma bailarina que
você admira?
Aiiii!!! Que saia justa!!!Tive a grande honra de trabalhar
com grandes bailarinas, admiro todas! As com que eu já trabalhei e muitas que
ainda não trabalhei, seria injusto eu citar nomes, pois a lista seria gigante!
E poderia esquecer alguma!Para te dar pelo menos um nome, então eu cito a minha
bailarina! Minha esposa Jamili Khalih!
6- Com qual bailarina você gostaria de
executar uma dança, mas ainda não teve essa oportunidade e por quê?
Meu maior sonho é ter uma máquina do tempo e trabalhar com
Taheya Carioca, Naima Akef, Nagwa Fouad e várias outras desta época maravilhosa
da dança oriental e é claro trabalhar com o grande mestre Mahmoud Reda.
7- Como é sua vida fora dos palcos,
seu hobby, o que te encanta nos momentos de folga?
Fora do palco minha vida é quase de uma pessoa normal!(risos)
Coisa que meus amigos “normais” eu acho (risos), não consideram uma vida
normal! Sou muito CDF, estudo muito e dedico a minha vida quase em período
integral à dança! Estou tentando mudar um pouco isso, mas é difícil!
Sou uma pessoa muito noturna, amo a noite, adoro dirigir sem rumo
pela madrugada, mas não gosto de baladas, prefiro um bom vinho com amigos, em
minha casa, do que ir a um lugar com muita música alta e confusão, sou
apaixonado por animais, tenho 3 gatos e sou um aquarista assumido, crio
ciclídeos africanos, sou um grande amante do cinema europeu e adoro filmes que
as pessoas “ normais” acham entediantes!
Adoro viajar com minha esposa, mas não somos o tipo de turistas
que ao chegar em um lugar sai explorando tudo com uma máquina fotográfica na
mão, uma prova disso é que quase todas as fotos de viagens que temos, foram
tiradas por outras pessoas!
Preferimos chegar a um lugar desconhecido, caminhar calmamente,
achar um café e conversar!
Amo conversar! Com pessoas inteligentes, simples e com conteúdo!
Amo uma boa qualidade de vida!
8- Na dança do ventre atualmente há
diversos estilos e fusões. Você acompanha essa tendência de inovar e buscar
inspiração em outras modalidades? Sei que você dança até com fogo, fale sobre essa
busca criativa.
Esta pergunta é muito complexa, mas vamos lá!
Fusões:
Eu, desde o início da minha carreira como bailarino realizei
trabalhos com fusões de dança cigana e flamenco, a dança cigana está
interligada ao flamenco e na dança árabe.
Mais tarde realizei muitas fusões com outras danças e também
estudei balé para a melhoria da minha técnica, giros e postura..
Mas sempre continuei o meu estudo no folclore árabe, pois a
base da dança árabe masculina é, e sempre será folclore!
Já assisti muitas fusões e performances e acho que todos nós
devemos tomar muito cuidado com isso, para não acabarmos com a essência da
dança oriental em geral.
Eu simplesmente acho que está surgindo mais um novo estilo que
costumo chamar de “Fantasy” que é um estilo com muita influência americana e
algumas para efeito de palco acho muito válidas e interessantes!
A espada com fogo e a capa wings foram criações minhas, o fan veil
eu trouxe da Europa e o lancei no Brasil em 2008, acabou virando esta grande
“febre nacional”!
Mas sempre digo e repito que devemos tomar muito cuidado, ao criar
algo novo, seja uma performance ou fusão, tudo deve ser realizado com muito
estudo, bom gosto e contendo a essência oriental!
9- Muito obrigada por participar. Fale
um pouco sobre seus projetos futuros e sua agenda para este final de ano.
Obrigada!
Agenda?! Minha agenda está parecendo agenda de bailarina na época
da novela O Clone! Rsrsrrs!!! Graças a Deusl!!!
E por isto demorei tanto tempo para responder a sua entrevista!
Estou realizando muitos projetos para 2011, por isso deixei as
viagens internacionais para o fim de 2011, até lá estou me dedicando de corpo e
alma para a TITÃS Cia. De Dança e Arte de Ali Khalih.
Recém inaugurada em Guarulhos no Parque Cecap, estou com uma
equipe maravilhosa de professores, escolhi minuciosamente de acordo com o
perfil do público que estou tendo na minha nova escola!
É uma nova proposta, “Professores Personalizados” rssrsr, eles
atendem o perfil de grupos diferentes de alunos, e eu estou me dedicando a
turmas masculinas, quero criar novos bailarinos árabes, que nascerão do estudo
folclórico, para depois poderem estudar outros estilos, como o moderno e o
clássico!
Quero formar grandes bailarinos!Este sempre foi o meu maior sonho
na dança!
Por isso também, estarei indo ao Egito no final de 2011.
Para as moças, estou abrindo uma turma dedicada ao Fantasy e no
primeiro semestre estudaremos o Fan Veil, toda a técnica e musicalidade deste
enigmático acessório, que muitos pensam ser um bicho de sete cabeças, mas
afirmo que não é!
E também a minha amada dança cigana e a Zambra, não posso
esquecer as minhas raízes!
Também para 2011 estarei lançando o Primeiro Espetáculo de
Bailarinos Árabes!
Com grandes nomes da dança árabe masculina, reunidos em um
único ESPETÁCULO!
Grandes Surpresas!
A única que poderei adiantar deste espetáculo é que a única
bailarina a pisar no palco será a madrinha!
Quem é??!!!
Não conto não!!!! (risos)!!! SURPRESA!!!!
Também para 2011, no Brasil, muitos espetáculos, Super Noites do Harém,
Mercado Persa 2011, Workshops e Shows diversos por todo o Brasil!
Para o exterior, estou com vários convites para vários países,
infelizmente não poderei divulgar ainda nenhum deles, devido sigilo de
contrato, mas logo estarei postando em minhas redes sociais, blogs, web site,
etc.2011 Será um grande ano para a DANÇA!AGUARDEM!!!
Quero agradecer a todos, pelo espaço concedido e
desejar muito SUCESSO, LUZ e INSPIRAÇÃO!
Um grande BEIJO! Ali Khalih.
Mais informações: www.bailarinoarabe.blogspot.com