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Anatomia e Cinesiologia aplicadas à Dança do
Ventre
Artigo
escrito por Luciaurea
http://www.myspace.com/luciaureafaruk
www.luciaureafaruk.multiply.com
www.youtube.com/luciaurea
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Kinein. Do grego, mover.
Logos. Do grego, discurso sobre um
conhecimento.
Cinesiologia é o estudo do movimento,
de suas implicações e estruturas.
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"Tornar o impossível possível, o
possível fácil, o fácil elegante e esteticamente satisfatório".Moshe Feldenkrais
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As estruturas coluna, quadril e pé são muito
importantes na prática da dança, sem comentar as outras como a cintura
escapular, as articulações dos pulsos, das mãos e dos dedos, largamente
utilizados em movimentos de ondulações diversas.
Na dança, o andar é aplicado de forma
contrária ao do ciclo da marcha, em que o calcanhar contata a superfície
do chão e em seguida, o apoio é transferido para o metatarso. O andar na
meia ponta alta proporciona um ar de elegância, principalmente se o apoio
é realizado do metatarso para o calcâneo, quando se utiliza o pé
inteiro no chão.
É igualmente necessário compreender como
ocorre o processo cinesiológico do corpo ao dançar. Não pensamos em
como funciona nossa movimentação quando estudamos o corpo na dança. É
preciso notar a movimentação pélvica na dança, e o impacto que esta
causa na coluna. Na marcha natural, existe um movimento sutil onde uma
ligeira rotação pélvica diminui a ondulação vertical, na qual a pelve
oscila sobre o eixo da coluna lombar. Quer dizer que, durante o passo, o
grau de compensação da pelve diminui o ângulo, entre a pelve e a coxa,
e a perna e o solo. Isso significa que ocorre uma inclinação pélvica,
um leve balanço. Podemos dizer que a perna de apoio sofre uma adução,
e, que a perna em movimento, uma adução muito leve, estando fletida no
quadril e joelho, para se erguer da superfície e iniciar um novo ciclo.
Na Dança do Ventre, isto ocorre de forma mais
intensa, solta, e, ou, forte, em relação aos eixos do corpo. O shimmy na
articulação do quadril ocasiona uma oscilação muito maior sobre o eixo
da coluna lombar em que a pelve se movimenta. A inclinação pélvica é
ainda maior no caso do Shimmy Soheir Zaki, e também temos uma adução
considerável da perna de apoio.
A flexão do joelho durante a fase de apoio é
imprescindível na marcha comum. Muito mais na Dança do Ventre. Na marcha
comum, o joelho se estende quando o calcanhar toca o solo, iniciando a
fase de apoio para a perna, e o corpo se desloca sobre o seu centro de
gravidade com o joelho fletido, passando sobre o pé e o joelho,
gradualmente, estendendo-se novamente, até uma nova extensão no fim da
fase de apoio. A flexão aqui não é uma flexão grande.Trata-se apenas
do relaxamento da articulação.
Na Dança do Ventre o deslocamento ocorre de
forma contrária. Parte-se com o joelho levemente estendido com o
metatarso tocando o solo, deslocando o corpo sobre o centro de gravidade,
relaxando o joelho, quando o pé inteiro toca o solo.
É muito importante notar que se a
conjugação de movimento entre joelho e tornozelo, relaciona-se com a
ondulação da pelve na marcha normal, na Dança do Ventre isso acontece
de forma mais visível. Na marcha comum, durante o apoio do metatarso, o
tornozelo realiza uma planiflexão e gradualmente flete, em sentido
plantar, para se estabilizar no chão enquanto o corpo se aproxima do
centro de gravidade e o quadril tem tempo para se estabilizar novamente.
Como na dança aplicamos o andar inverso, ou seja, da ponta para o
calcanhar, obtemos maior leveza e uma diminuição de peso considerável
para que a pelve ondule livremente numa amplitude maior.
A atividade muscular possui, então, um papel
de grande importância para a realização do deslocamento, pois trabalham
juntos, os músculos da coluna, quadril, abdome e perna.
É importante a conscientização de que tipos
de movimentos e posturas do membro inferior afetam pelve e coluna. Podemos
observar concretamente que todos os músculos, mesmo as cadeias musculares
mais distantes deste ponto, são solidários, auxiliam uns aos outros,
para a realização de uma marcha.
Uma outra coisa extremamente importante é a
influência do estado psico-emocional no comportamento da estrutura.
Fazendo notar, que o estado psico-emocional de
uma pessoa pode alterar a maneira como ela anda e utiliza o próprio
corpo, podemos citar Feldenkrais, que disse certa vez "A única coisa
que você pode mudar é a maneira como você faz o que você faz".
Isso nos leva a pensar que a musculatura funciona através do hábito. A
cada repetição de um movimento, o corpo se organiza e vai assumindo uma
configuração específica que vai se confirmando no tempo.
Uma má mecânica da unidade pélvica na
prática do shimmy, por exemplo, devido a uma prática inadequada ou
excessiva, e o emprego contínuo e exagerado de forças, provoca
desequilíbrios e sobrecargas anormais, gerando dor no quadril, joelho ou
coluna. Desenvolvem-se síndromes e patologias em função do uso
excessivo, das sobrecargas nas articulações, e a pessoa começa a sofrer
restrições nos movimentos, fraquezas musculares e dores, que prejudicam
o equilíbrio e o controle postural na dança.
Dentre as patologias que podem ser
desenvolvidas estão a bursite, a lombalgia e a tendinite, que provocam
dor, que pode ser sentida na parte lateral do quadril, podendo descer
lateralmente pela coxa, indo até o joelho, ou ainda pode ser sentida na
virilha, ou ainda ao redor da região dos ísquios ou lombar; e o
desconforto pode ser sentido após um longo período, ao ficar de pé,
assimetricamente com o quadril afetado elevado e aduzido, com a pelve
caída sobre o lado oposto, ou ainda com a realização de flexões de
quadril ou na posição sentada, e também durante a realização de um
exercício que provoque extensão excessiva enquanto a musculatura estava
se contraindo: e a execução de shimmies mal compreendidos, deslocamentos
mal estruturados, ondulações da coluna que exijam um preparo que não
foi respeitado ou desenvolvido, podem, infelizmente, levar ao
desenvolvimento destas patologias.
Compreendamos que um ato mecânico,
aparentemente simples, pode ser tão complexo, que envolve articulações,
músculos, centro de gravidade, equilíbrio, sistema nervoso central e
periférico, vida psicológica e emocional. Lembremos também que a
postura está intimamente ligada à auto estima.
Vamos terminar este artigo com Moshe
Feldenkrais, que expressou uma idéia muito aplicável a respeito do que
é possível e impossível fazer: "Tornar o impossível possível, o
possível fácil, o fácil elegante e esteticamente satisfatório".
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NOTAS:
Filho, Blair José Rosa. Mecânica Global.
FisioWeb. [site de pesquisa e desenvolvimento em estudos cinesiológicos].
2001; 1(1). Disponível em . [2003 Dez 23].
Yakhni, Mathilda. O Corpo que se Expressa.
Método Feldenkrais. [site de pesquisa e desenvolvimento no Método de
Moshe Feldenkrais]. Disponível em . [2002 Abr 20].
Artigo
escrito por Luciaurea
http://www.myspace.com/luciaureafaruk
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