|
1- Esmeralda,
obrigada por conceder esta entrevista e receber com tanta espontaneidade e
simpatia meu primeiro contato. Você é uma bailarina internacional e está de
volta ao Brasil. Fale um pouco sobre sua carreira no exterior, como chegou
lá, como começou...conte tudo!
Lu,
minha carreira internacional começou em 2002, quando embarquei para os
Emirados Arabes pela primeira vez através da Bellydance Brasil – Omar e olga
Naboulsi.
Naquela
época, os Emirados ainda eram países fora do alcance da mídia mundial e pouco
se sabia sobre o mesmo. Foi uma experiência mista! Tive que lidar com a
saudade de casa, a cultura oposta e as leis sociais.
Me
adaptei rapido, acredito.
Meu
primeiro show foi em 5 de dezembro de 2002, em Abu Dhabi, no restaurante Al
Birkeh. Foi hilário! Muitos erros! Mas fantástico... Brinco que meu primeiro
dia de show foi uma reprise do que seriam meus próximos 8 anos.
2- 2- Ao
assistir sua performance no Mercado Persa este ano (2010) o que mais me
impressionou foi sua postura, ainda mais de salto. Poucas bailarinas dançam
de salto com tamanha elegância e desenvoltura. É, realmente uma
característica dos países arabes dançar de salto? Você prefere dançar com o
mesmo ou descalça?
Olha
Lu, confesso a voce que, historicamente falando, pouco conheco sobre a
introdução do salto na dança árabe. Mas eu acredito que o uso de
sapato/sapatilha em geral é muito importante para o desenvolvimento de uma
dança segura.
Existe
a grande controvérisa dos médicos com relação ao salto, mas convenhamos... Em
qual profissão não há sacrifícios? Risos!
Luto
pelo sapato, amo dançar com eles e peço para que as praticantes de dança
árabe experimentem ao menos uma vez!
3-
Você, assim como eu, ‘assume os cachos’. Conte por favor qual o segredo pra
ter esse cabelo tão lindo! (momento mulher,rs)
Risos!
Menina, eu falo que ter cachos já é nascer com filhos!!! Ôh trabalhão!
Mas
olha, Deus não dá “cacho sem nó”! Tem que ter paciência e amar muito!
Meus
cachos são um reflexo de quem eu sou! Por inúmeros motivos, aceito e amo meus
cachos pq sei que da mesma maneira que eles tomaram forma e embelezaram com o
passar dos anos (lembra da época em que aloe e vera e creme para pentear não
existiam?) assim será a minha pessoa e a minha personalidade. Eles me dão
força, equilibrio e uma mensal lembrança da família: tenho cabelos brancos
desde os 15!
4- Quais
são as diferenças culturais entre a mulher brasileira e a mulher dos
Emirados? Você teve alguma experiência desagradável, algum choque cultural em
sua temporada no exterior?
Assunto
complicado, relativo e longo! Somos mulheres acostumadas a valores
diferentes. Somos guerreiras, cada uma a sua maneria. Nestes 8 anos, eu
respeitei as mulheres árabes, principalmente as mais velhas. Elas me causam
um fascínio incrivel. As jovens... Bom, elas são resultado de uma geração em
mudança; elas possuem a tradição dentro de cada e o exemplo universal da
modernidade. Não palpito mas também não concordo com a criação das crianças e
jovens árabes do sec. XXI.
Tive
choques ao montes nesses 8 anos, menina!!! Mas vou deixá-los curiosos! Em
breve, voces saberão detalhes destes anos! |
5- Quais
bailarinas você admira e por quê?
Eu respeito e admiro quem se dispõe a ser feliz e a dançar
por amor! Eu admiro quem compartilha e quem batalha pela valorização da arte.
Cada pessoa dança por um motivo e este precisa ser
respeitado.
Cada pessoa dança à sua maneira e isso precisa ser
admirado.
As diferentes interpretações da dança é o que faz dela
uma linguagem.
6- Conte quais os projetos para 2010 no
Brasil (até o fim do ano).
São tantos... Quero ser um acréscimo na dança
árabe-brasileira sem desmentir nem afrontar técnicas! Quero passar para todas
voces o que eu aprendi como uma pessoa que ama dançar e não como um sucesso
internacional.
Eu não sou um SUCESSO, eu tive a graça de ser
bem-sucedida!
Aguardem! Risos!
7- Esmeralda, você acredita que o
Ballet seja importante para a pratica da Dança do Ventre? Por que?
Eu acredito que postura seja primordial para a prática
de qualquer dança. O Ballet foi meu ínicio, portanto, minha base. Eu defendo o
aprendizado deste porque eu experimentei a diferença que ele fez ao meu corpo e
para minha dança.
O ballet não te fará uma dançarina árabe melhor, pelo
contrário! Ele pode te desfocar quando se trata do lado folclórico; mas o
ballet pode te mostrar uma outra possibilidade de usu-fruto corporal que até
então, somente pela dança árabe, voce desconhecia!
8- Quais marcaram sua vida, cite: livros,
filmes e musicas. Fale a vontade sobre.
Tenho 3 livros que amo muito!
-“As Brumas de Avalon” (4 volumes). Uma leitura que me
ajudou mundo no processo de desbravar o países árabes;
-“Sushi”. Uma leitura divertidíssima da irlandesa
Marian Keyes. Não vivo sem os livros dela.
-“Adeus China – O último bailarino de Mao”. Este livro
chegou às minhas mãos pela Daiane Vaccaro, também bailarina Bellydance. Um
livro fantástico que descreve o nascimento de um bailarino dentre tantos
problemas e desordens sociais.
Filmes: Billy Eliot; Amelie
Poulan.
Músicas? Qualquer música, desde que seja música!!!
9- Obrigada pela entrevista! Deixe sua
mensagem a todas nós que praticamos a Dança do Ventre. Sucesso!
Divirtam-se sempre com a dança! E procurem entender o
que ela é de verdade. Lembrem-se: a dança árabe é uma ramificação do dançar.
Assim como é a Ballet, o Jazz, o Contemporâneo. Somos ramos com diferentes
técnicas, músicas e padrões, mas ao final do dia, todos dançamos!
Então, pensem na dança como um diálogo, uma arte de
expressão, uma linguagem universal e não como uma verdade absoluta!
Pessoas escolhem caminhos diferentes, assim como
escolhem técnicas, professores e cores... Mas nem por isso elas deixam de ter
voz! E enquanto tivermos voz, nossos corpos irão falar!
Dancem sempre! Beijos, Esmeralda.
Mais informações: www.dancesmeralda.com.br
Entrevista realizada no ano de 2010