SAMIRA SAMIA

 

1- Samira, preciso começar dizendo que é uma honra tê-la entre as entrevistadas, pois quem conhece a Dança do Ventre sabe que você teve foi uma das pioneiras em nosso país. Conte-nos então, um pouco da sua trajetória, como a dança surgiu em sua vida.

Simplesmente, jamais tive aulas! Apesar de procurar pelas únicas duas profissionais que lecionavam esporadicamente elas se recusaram terminantemente a ensinar  aquelas que poderiam se tornar profissionais.

 2. Atualmente o acesso a informações é amplo e prático. Mas como era antes, quando ainda não tínhamos essa gama de informações por vídeos e internet, como você fazia para aprender e buscar orientações?

Não havia estilistas, material de dança, bijuterias para dançarinas, enfim: nada!Quando entrava para dançar era com inspiração e talento porque os músicos da banda  nem diziam o que iam tocar. Era terrível. Não havia informação nenhuma.

3. A Dança do Ventre ganhou o mundo, e atualmente ela está com nuances de varias modalidades, em fusões diversas. O que você pensa sobre as fusões e como analisa o uso de outras modalidades na dança?

As outras modalidades na dança, bastante usadas atualmente são ao meu ver, muito boas para diversificar. É um excelente trabalho de criatividade para as dançarinas não ficarem sempre na mesma tônica de trabalho, permitindo variedade de estilos e trajes.

4.Você é uma das co-responsáveis pelo sucesso do Mercado Persa. Conte-nos um pouco de como é esse evento, que a cada ano fica melhor.

Quando idealizei o  Mercado Persa foi justamente com o intuito de levar ao público toda a informação possível.  Trajes, coreografias, materiais diversos, contatos e divulgação entre professores e profissionais , etc...Até então não existiam eventos na área. Foi o que me faltou quando comecei; e procurei levar aos demais estas trocas, para que todas tenham acesso a tudo que diz respeito a dança no geral. O sucesso do Mercado é a dedicação , o profissionalismo e o respeito que a Oriente,. Encanto e Magia dedica a arte da dança oriental.

5.Samira, o que você acha importante em uma bailarina, em termos de movimento, conduta e aparência?

O que eu acho mais importante em uma bailarina é: perseverança, disciplina, treino, humildade, respeito às colegas e muitos anos de dedicação.Uma sugestão é seguir o código de ética da dança do ventre que foi criado com a participação de mais de 400 pessoas ligadas a arte.

6. Obrigada pela entrevista, fique a vontade para deixar a mensagem, que preferir.

Eu é que agradeço pelo carinho. Meu desejo de muito sucesso a todos vocês.

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Do site ‘Oriente Encanto e Magia’
Curiosidades

-O primeiro nome artístico de Saamira Samia - "Nadia" - foi escolhido por Tony Mouzayek no primeiro show que realizaram juntos. Depois, no Bier Maza, o apresentador Samir Mammari a anunciava como "Saamira", que é o feminino de seu nome (Samir). A princípio ela não gostou, mas assim se tornou conhecida.

-É Saamira quem conta que, naquela época, várias dançarinas utilizavam sapatilhas, pois os modelos das saias eram muito abertos e pouco cobriam as pernas. As meias de náilon ajudavam a escondê-las um pouco e, por esse motivo não era possível dançar descalça.

- Naquela época as bailarinas já usavam glitter pelo corpo.

- 90% dos shows eram realizados com música ao vivo. Ainda bem, pois do contrário as dançarinas eram obrigadas a se apresentar no compasso de antigos LP's que não tinham um som lá muito bom.

-Não receber caixinha* após uma apresentação era exceção. Normalmente era preciso um saco plástico para colocar todo o dinheiro que as bailarinas e músicos recebiam por sua performance.

- Lançar dinheiro sobre o corpo da bailarina e dos músicos é um antigo costume árabe que não tem qualquer intenção de ofender; pelo contrário : é uma forma de demonstrar a satisfação pelo trabalho apresentando.

- Pouquíssimas bailarinas davam aulas. No início, a maioria delas era autodidata e sua atividade preferida era o show.
- Até 1985 era usado apenas um véu nas apresentações. Não havia bastões, snujs, nem espadas...

-As bailarinas daquela época tinham como "ponto de honra" ser convidadas para fazer shows, e não oferecer seu trabalho. Tanto que, para isso, não precisavam fazer nenhum tipo de propaganda como se conhece hoje.

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