NAR

 

1-     Nar, a primeira vez que vi você dançar foi em um vídeo da Lulu. Hoje, você não faz mais parte do quadro de bailarinas da Khan el Khalili. Poderia nos contar o que significou a Casa de Chá para você e, atualmente, como é ter sua própria Cia de Dança e as vantagens em ter sua própria escola?

Quando eu era novinha, uns 13 anos, morava na rua debaixo da casa de chá e um dia minha tia me levou para conhecer a Khan El Khalili. Achei maravilhoso! Ficou guardado na minha memória aquele ambiente mágico e tão lúdico. Nunca pensei em pertencer àquele mundo, mas anos depois lá estava eu fazendo aulas de Dança do Ventre e um ano depois, dançando na casa. Foi uma época muito especial, onde pude conhecer arte, dança, cultura; pude experimentar sensações, conviver com pessoas às vezes tão iguais a mim e outras vezes tão diferentes; fiz escolhas profissionais, estudei muito, conheci outro jeito de “levar a vida”, enfim, a Khan El Khalili fez parte da minha vida em um momento de grandes transições e de lá só guardo boas lembranças. Porém, assim como entre mãe e filho, um dia o cordão se corta e a “cria” pode viver por si só. A Nar Cia de Dança e Arte é a concretização disso. É a minha maior riqueza, o amadurecimento de muitas idéias e vontades. Vantagens em ter minha própria escola? Muitas: lá posso seguir meus princípios, minha filosofia. Convivo com pessoas que compartilham do mesmo ponto de vista que o meu e principalmente, tenho profunda participação na formação das alunas.

  2-     Seu quadril é soltinho e sua dança é forte, ágil, além da expressão belíssima. Gosto mesmo de vê-la dançar. Qual o segredinho para esse quadril e suas dicas para uma boa performance?

Antes de mais nada: OBRIGADA!

Nunca fui uma pessoa de estudar compulsivamente, ficar assistindo vídeos para “copiar” as bailarinas, participar de bilhões de workshops, ficar colada no espelho repetindo o mesmo passo até ele ficar perfeito. Nunca!

Minha dança foi sempre muito intuitiva, de sentir. Dançar sempre me trouxe muito bem estar e um enorme prazer. Acho que daí vem minha expressão na dança.

Mas uma coisa que me fez e me faz aprimorar minha técnica é, sem dúvidas, ser professora. Enquanto ensino e tento identificar as dificuldades das alunas, qualifico mais ainda os meus próprios passos. Minha rotina de treinos é dar aulas! Mas isso não me isenta de estudar. Pelo contrário! Preciso estar sempre buscando informações para ter o que acrescentar como professora. Por isso, procuro fazer cursos com profissionais que eu confio e acho que tem conteúdo, que geralmente são os professores que convido para dar workshops, aulões e palestras na minha escola. Dica para soltar o molejo? Só tem uma receita: Laboratório de Quadril com Dúnia La Luna (www.dunia.com.br/ www.nar.com.br).

  3-     Quando penso em você, não tem como não pensar também no Tarik, seu parceiro de dança e um ótimo bailarino. Poderia nos falar um pouquinho de como é esse trabalho com o Tarik?

Bom, falar do Tarik para mim é um pouco comprometedor, afinal ele é meu irmão e eu sou super fã (e coruja) dele...rsrs. Mas deixando o parentesco de lado e sendo bem imparcial, trabalhar com o Tarik é um presente. Ele é pura criatividade e é realmente um artista! No início, antes de ser Tarik (rs), ele me acompanhava nos shows e com o tempo, só de ver, começou a dançar. Daí para frente passou a estudar   e a se destacar como o 1º bailarino de Folclore Árabe no Brasil, dentro do estilo que ele próprio desenvolveu. Hoje ele é um profissional super conceituado e solicitado para aulas, shows e workshops por todo o país. Mas ainda tem um tempinho para mim...(rs). Tarik dá aulas de Folclore Árabe na Nar Cia de Dança e Arte semanalmente e podemos compartilhar muitos conhecimentos.

 4- Cite o que você acha importante para ser uma boa bailarina.

Nesta ordem: paixão, expressão e técnica.

A dança realizada por prazer, tendo como princípio e intenção satisfazer um gosto seu, conseqüentemente vai garantir uma expressão natural e bela, e também por conseqüência, estudar técnica nunca vai ser um sacrifício, pelo contrário, será prazeroso.

Resumindo: Sucesso e qualidade dependem da sua segurança em dançar, e esta segurança nunca vai existir se a eficiência da sua dança depender da opinião alheia.

Estude técnica (vídeos, workshops, aulas), estude expressão (teatro, vídeos), estude música (árabe e de todos os tipos – isso é mais importante do que tudo) e nunca deixe de amar a dança, com toda a sua alma.

  5-     Quais as bailarinas que você admira e por que?

Admiro Fátima Fontes por sua leveza e pelo respeito que ela tem pela arte; admiro Soraia Zaied por sua técnica e expressividade. Admiro Dunia La Luna por seu trabalho minucioso com o quadril e por sua ligação com o feminino. Adoro as antigas bailarinas egípcias como Najwa Fuad e Soheir Zaki.

  6-     Fale um pouco sobre a Cia de Dança e Arte Nar.

Bom, a Nar Cia de Dança e Arte procura sempre oferecer coisas novas, então todo semestre fazemos uma programação de cursos, aulas especiais, palestras, shows, etc. Para este fim de ano teremos aulões de Dança de Salão e de Dança do Ventre, com um custo super reduzido (de R$ 10,00 a R$ 20,00), workshop de maquiagem, Saraus (apresentações de dança e coquetel que acontece 1 vez por mês na escola) e o nosso grande Espetáculo de encerramento anual: Inspiração – pelo simples prazer de dançar, que acontecerá no dia 11 de dezembro, no teatro Sto. Agostinho. Todas estas informações estão no nosso site www.nar.com.br, onde vocês também podem conhecer as roupas vindas do Egito e as fabricadas aqui. As compras precisam ser feitas pessoalmente na escola.

  7-     Você tem alguma dica para ter mais resistência física durante a dança? Qual o seu segredo?

A dançarina não deixa de ser uma “atleta”.

Praticar apenas a Dança do Ventre não é o suficiente. É preciso preparar e cuidar do corpo para que a execução da Dança do Ventre não machuque ou prejudique. Este preparo envolve outros treinos como: ballet, yoga, musculação, exercícios aeróbicos e com trabalho cardio respiratórios.

É muito importante também cuidar da postura: sugiro pilates, RPG e alongamentos.

  8-    Nar, muito obrigada por participar, parabéns pela humildade e seriedade com que conduz o seu trabalho. Utilize este espaço para falar sobre o que quiser.

  Quero agradecer ao convite e dizer que me senti muito honrada por poder expressar aqui minhas opiniões. É muito bom poder compartilhar minhas experiências. Aqui deixo um pouco da minha essência para que ela sirva de inspiração para outras bailarinas. Meu conselho: Dance com o coração, nunca com o ego. Obrigada,Nar

 

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