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Débora Sabongi é brasileira, nascida em São Luís-MA, em 1974. Bailarina de dança árabe da Khan el Khalili desde 2001, atualmente ministra aulas e dança na Casa de Chá. É formada em Administração de Empresas e dirige, ao lado de Jorge Sabongi seu atual esposo, a Khan el Khalili. ______________ O
Ballet nos ajuda a entender a importância da disciplina e da
perseverança na dança. Desde cedo, adquirimos o hábito de freqüentar
as aulas e tomamos consciência do quanto é imprescindível as sequências
de exaustivos movimentos diários. Não
se pode deixar de afirmar que o ballet
ajuda de forma considerável o desenvolvimento da bailarina de Dança do
Ventre. Os braços e postura são os primeiros pontos a serem notados em
quem faz dança clássica. Técnicas de alongamento, equilíbrio e giros
também são favoráveis à dança árabe. Enquanto
bailarina clássica (ballet)
adquiri conhecimentos preciosos sobre teoria da música (aulas de piano,
mais tarde), história da dança, terminologia do Ballet
Clássico, noções de anatomia, aulas de expressão e teatro, entre
outras tão necessárias para se destacar nesta área como aulas de repertório,
Pas de Deux, e muito mais. Como
bailarina de dança do ventre é aconselhável buscar conhecimentos que
agreguem valor ao nosso trabalho, seja para se manter apenas em shows ou
em aulas. Mas não é preciso ficar preocupada se não teve início no
ballet para alcançar resultados favoráveis. Na realidade, o sucesso
depende de uma série de fatores. Existem muitas bailarinas se destacando
no mercado que não passaram pelas aulas de ballet.
Ele veio acrescentar elementos à nossa dança, e não nos tornar escravas
de sua rigidez. Amo o ballet,
mas a liberdade que a dança do ventre nos dá, me apaixona a cada
instante. 2-
Ao descobrir a Dança do Ventre, você aperfeiçoou seus
conhecimentos em São Paulo, mesmo morando no Maranhão. Como foi, na época,
dançar fora do eixo Rio-São Paulo? Há dificuldades para quem é de
fora, ou, para você, o talento não tem barreiras?
Eu
já tinha passado por algo bem parecido quando decidi me transformar em
bailarina clássica profissional. Iniciei as viagens para o Rio aos 13
anos e não parei mais. Outras cidades foram se incorporando como centros
de estudo: Brasília, Niterói, Belo Horizonte, São Paulo, Fortaleza, Belém,
Londrina. Com
a dança do ventre não foi diferente. Quando percebi que queria estudar
de forma mais séria, minha professora no Maranhão me mostrou um vídeo
da Soraia Zaied e me apresentou a Khan El
Khalili. A partir desse momento, as viagens para São Paulo
tornaram-se constantes. Eu tentava não ficar por mais de três meses sem
atualização, por isso estava sempre nos workshops
e cursos disponíveis em São Paulo. Dançar
fora do eixo Rio-São Paulo não é tão fácil, principalmente há algum
tempo atrás. Acredito que o que mais dificulta seja o deslocamento.
Geralmente as passagens têm um valor elevado para quem está iniciando
seus investimentos na dança. Na maioria das vezes, quem começa dança não
dispõe do valor necessário para adquirir material didático, roupas de
shows, acessórios, e ainda cobrir gastos com passagens para os grandes
centros, arcando com sua estadia e refeições. Acredito
que o talento não tem barreiras. Mas precisamos, também, gerenciar as
nossas finanças. Ter talento talvez ajude a encontrar patrocinadores, porém
não é garantia de sucesso. 3-
Além da formação clássica, você tem a formação profissional
em Administração de Empresas. Fale sobre a importância do estudo,
informações e independência da mulher que dança. Nada
é mais triste do que encontrar alguém que você admira no palco e
perceber que é “vazia” por dentro. Conhecimento nunca é demais. E
isso não significa cursos caros ou uma infinidade de especializações. Sabemos
que não é tão fácil viver só de dança no nosso país; podemos então
concluir que ficar somente dançando não nos levará muito longe. Mesmo
que você determine montar um negócio como uma escola, por exemplo, será
necessário ter noções de administração, conhecer a parte financeira, marketing,
entre outras áreas. Outro
ponto é não tornar-se alguém que somente consegue falar de um assunto
apenas. Por isso ler é fundamental. A leitura nos manterá sempre ativos
em qualquer situação. Uma
bailarina que pretende permanecer no mercado por mais tempo, precisa
manter-se bem informada. É essencial que entenda a ligação entre sua área
e as demais, principalmente no que se refere às relações humanas. O
importante aqui é perceber que não se pode ficar parada. Minha
professora de português, no ginásio, já dizia: “Mente vazia é
oficina do que não presta.” 4-
Quais são as bailarinas que você admira e quais as que inspiram o
seu atual trabalho. Também
é fundamental não ter pressa, respeitar o tempo do seu próprio
aprendizado para depois lançar-se como professora.
Acho
válido o uso da criatividade para tornar a dança ainda mais rica, mas
existem alguns limites para isso. O
importante é que a dança do ventre não perca sua essência na mistura
com tantas outras. Eu costumo separar “dança do ventre” de “performance”:
na primeira vemos a dança
tradicional mesmo que sofra uma leve influência, na segunda você não
consegue distinguir quem está influenciando quem. Algumas
pessoas estão construindo trabalhos dignos de apreciação, agregando fusões
em sua dança e nos presenteando com verdadeiros shows. Mas infelizmente
ainda existem aquelas que não pesquisaram muito, antes consolidar a
“mistura”, no final não entendemos seus movimentos e o brilho da dança
se esmaece. Dicas
por escrito são um tanto complicadas...rs..rs... Existem exercícios para
soltar o quadril, mas precisaríamos estar próximas para mostrar como se
faz. Os
braços são a moldura do corpo; se não estiverem belos, podem danificar
todo o resto da pintura. Para estes existem algumas brincadeiras que
ajudam bastante: coloque uma linda pulseira no seu braço, daquelas que
brilham e tente observar como ela reage ao seu movimento; você vai querer
levantar, baixar, balançar, fazer círculos com o braço, e aos pouco você
vai perceber que está fazendo uma infinidade de movimentos sem pensar
muito, de forma livre e natural. Com isso seus braços vão se soltando.
Mais tarde vem a parte técnica, onde você irá trabalhar a simetria dos
braços. Quando
se é iniciante, tudo parece complicado. Primeiro tenha em mente que até
uma guerra é vencida, de batalha em batalha. Então, vamos aos poucos;
uma vitória de cada vez. A
leitura musical não é tão simples, porque mexe com ritmo, musicalidade
e nem sempre somos natos nesses quesitos. Mais uma vez, serão válidos
muitos treinos. Exercite os ouvidos com a música árabe. Dê preferência
para as músicas mais clássicas, já que a quantidade de instrumentos é
sempre maior. Perceba como a música se modifica o tempo inteiro, que
existem breaks e retomadas
bastante interessantes que possibilitam criatividade extrema. Uma das
riquezas da música árabe é que ela não é linear. O fato de ela
modificar-se muitas e muitas vezes durante o seu percurso lhe permite
executar apresentações que podem se tornar verdadeiras obras de arte. Mais
tarde comecei a ouvir as moderninhas e os estudos foram exercitando meus
ouvidos para as músicas folclóricas também. Como disse anteriormente,
precisamos nos alimentar de informações diversas. Na Khan el Khalili como a dança é sempre de improviso, precisamos
estar preparadas para literalmente “dançar conforme a música”. Por
isso o estudo é indispensável. 9-
Conte um pouquinho sobre seu dia-a-dia fora do âmbito de trabalho:
o que gosta de fazer, ler, lazer, etc. Tenho
uma gostosa rotina. Gosto de um bom café da manhã (aliás, sou viciada
em café). Quando estou ativa (às vezes paro um pouco por ordens médicas):
pratico exercícios, faço uma aula onde misturo yoga e pilates, às vezes
acrescento uma “barrinha” de ballet.
Estudo vídeos de shows e didáticos. Separo algumas horas para planejar
aulas e preparar sequências. Vou
para a Casa de Chá e junto com o Jorge, organizo a parte administrativa.
Elaboração de novos processos, reuniões de planejamento, preparação
de treinamentos, etc. Enfim, rotinas de uma empresa. Amo
ler, desde pequena. Confesso que sempre gostei mais de livros que bonecas.
Não conseguia entender a aplicabilidade que elas tinham. Livros me
ensinavam muito, e ainda me ensinam. Leio romances, biografias, ficção,
psicologia, antropologia, história, administração, filosofia, e entre
outros ramos. Brinco com minhas amigas dizendo que leio até bula de remédio.
E o pior, é que leio mesmo. Entre meus autores preferidos estão: Dale
Carnegie, Peter Drucker, Napoleon Hill e Stephen Covey. Tenho o hábito de
ler em média três a quatro livros ao mesmo tempo. Além
da leitura, sou amante de cinema e teatro. Em nossa casa, permitimos nos
deleitar horas e horas com filmes clássicos (verdadeiras preciosidades),
desde comédias do tipo “sessão da tarde”, dramalhões e aventuras
fascinantes de piratas, índios e descobertas. Adoro,
também, reservar algum momento no meu dia para escrever ou corrigir
artigos. Palavras cruzadas é um vício maravilhoso. Talvez para muita gente eu não tenha uma rotina tão interessante assim, mas eu procuro transformar cada dia da minha vida em uma oportunidade de crescimento para minha alma. E sempre agradeço a Deus (todos os dias) por isso.
Se
você não souber como divulgar o seu trabalho ou como preparar seu
marketing pessoal, dificilmente o sucesso baterá à sua porta. O
retorno aconteceu por causa das minhas alunas, e por insistência delas
aceitei retomar as aulas no Maranhão. Nunca gostei de deixar nada pela
metade, então voltei a estudar para que elas tivessem informações
corretas da dança; mesmo assim não me apresentava ao público. No final
de 2007, resolvi que voltaria a dançar e então procurei a Casa de Chá.
Muita coisa já havia mudado desde que saí. O
Jorge veio como presente de Papai Noel. Foi um reencontro de almas, já
que imagino que fomos cúmplices em outras vidas. Somos parte um do outro,
não temos dúvidas disso. Nossos pensamentos são parecidos até na
verbalização das idéias. É um presente que agradeço diariamente a
DEUS.
Por Luciana Arruda Fotos: do site www.khanelkhalili.com.br
(sob
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