FABIANA MAHASIN

 

1-     Fabi, antes de mais nada, preciso contar para as pessoas que temos uma amizade virtual há quase sete anos, e que você foi uma das primeiras pessoas a me ajudar quando fiz este site, através de seus e-mails aprendemos muito uma com a outra e pude acompanhar diversos momentos de sua carreira. Me fale um pouco, do que mudou na Fabiana Mahasin desses anos para cá, sua trajetória em busca do Padrão de Qualidade da KK, até chegar ao seu próprio estúdio e banda.

 Lu, eu também preciso deixar claro para todo mundo que você é uma pessoa muito especial em minha vida, e apesar de ainda não nos conhecermos pessoalmente eu sinto uma intimidade muito grande com você. Quando li o texto que escreveu no site da Casa de Chá percebi sua sensibilidade e tenho certeza que aquelas palavras tocaram tantas outras pessoas e deram ainda mais força para quem precisava de um apoio. Virei sua fã naquela hora, obrigada por tudo.

 Quanto á minha trajetória, a primeira coisa que tenho á dizer é que realmente não é fácil, precisamos amar o que fazemos em primeiro lugar, pois só o amor pelo trabalho nos faz ter força para batalhar pelo que queremos e especialmente, nos faz passar pelos vários obstáculos que encontramos no caminho. Sempre gostei de dança e na Dança do Ventre venho me dedicando 100% há 9 anos. Passei por várias professoras até chegar a fazer aulas na Casa de Chá, após 4 anos estudando lá pensei em fazer a pré, mas sem esperar nada, apenas queria passar por esta experiência. Quando fui aprovada no vídeo já fiquei super feliz, e a partir daí intensifiquei meus estudos ainda mais, o que foi um aprendizado e tanto, pois nunca em minha vida de bailarina estudei as músicas com tanto detalhe e dedicação. Mais perto da banca combinei com uma amiga, Laís Jardim, de estudarmos juntas e foi ótimo para nós duas. Filmávamos as nossas danças, uma corrigia a outra e ficamos felizes por passarmos juntas.

Posso falar que a Fabiana Mahasin mudou depois da pré-seleção, eu amadureci em meus estudos e mesmo que não tivesse passado tenho certeza que já teria aprendido muito. Foi uma grande realização e conquista pra mim, mas também digo que foi apenas o começo. Ainda tenho muito que fazer e grandes sonhos profissionais para realizar. Minha Companhia de dança cresce a cada dia e a banda tem sido um trabalho paralelo que tem dado certo e também faz parte de um dos meus objetivos na minha profissão.

 2-       Como é trabalhar fora do eixo Rio-São Paulo,atuando no Vale do Paraíba? (apesar que você vai fazer um show em breve, em São Paulo, com Tony, no Maeeva)

 O trabalho no Vale do Paraíba é muito bom e gratificante, sinto que as pessoas procuram cada dia mais a dança árabe e com isso o nosso trabalho cresce também. A rivalidade acontece infelizmente, mas não sinto que isso prejudique o meu trabalho, percebo isso pelo feedback que recebo de minhas alunas e procuro fazer meu trabalho e concentrar nos meus projetos que não são poucos...rsss...

Não temos como negar que a capital da Dança Árabe é São Paulo, é onde está concentrada a maioria dos grandes bailarinos e cantores do Brasil, por isso temos que dedicar parte do nosso tempo para realizar alguns trabalhos e estudos na capital. Fiquei muito feliz quando o Tony me convidou para dançar e desta maneira conhecer meu trabalho. Acredito que será uma experiência muito boa e o começo de muitos trabalhos. Levarei comigo duas alunas minhas que já são professoras que é a Giselle Mahin (que participará da pré-seleção deste ano de 2009) e também Samanta Mahaila, sempre procuro levar minhas alunas para que elas possam estar interadas no que acontece de especial e profissional na dança.  

 

 3-       Como é o processo de dar aulas, para você? Há uma falta de método estabelecido na Dança do Ventre, mas esses anos trouxeram algumas dicas práticas, que você poderia compartilhar conosco, em relação ao aprendizado na dança?

 Olha Lu, eu fiz magistério e dei aula para turmas de primário por um tempo, com isso aprendi bastante sobre dar aulas. Acredito na minha didática, pois o que uma professora deve ter em primeiro lugar é vontade que seus alunos aprendam, e isso eu tenho muita. Estou em minha sala de aula para ensinar e pode ter certeza de que farei de tudo para que isso aconteça. O que sempre senti falta na dança do ventre é de uma organização maior no conteúdo didático. Uma ordem nas apresentações dos movimentos às alunas e um material de apoio para estudo. Já tem alguns anos que venho trabalhando neste material, mas o processo é lento, pois eu faço material de acordo com as minhas aulas e com o desenvolvimento da maioria das alunas, é como se fosse um trabalho de pesquisa junto com a montagem do material. Já fiz apostilas com fotografias e DVD didático, mas este material ainda está sendo feito, só estarei liberando quando estiver com 3 níveis de aula pronto que são o iniciante, o básico e o intermediário. Cada nível tem aproximadamente de 3 há 7 apostilas. O material é bem detalhado por isso é tão trabalhoso, mas estou certa de que quando estiver pronto será de grande ajuda para quem estiver estudando. A princípio este material só será disponibilizado para as minhas alunas na aula, não pretendo abrir a venda pois é para estudo do que eu ensino, mas vamos ver no futuro o que acontece.

Ai vão algumas dicas:

·         Se você quer começar a dar aula, antes de qualquer coisa pergunte para a sua professora se você está preparada para isso, não se esqueça de que trabalha com o corpo de outras pessoas e elas confiarão em você.

·         Se você não sabe alguma coisa seja sincera com suas alunas, você não tem obrigação de saber de tudo, mas tem obrigação de estudar.

·         Faça uma experiência com seu corpo através dos movimentos que for dar em sala de aula antes de passar para suas alunas e tenha sempre 3 maneiras diferentes de ensinar aquele movimento, cada aluna capta uma mensagem diferente e você tem que fazer a informação chegar á todas elas.

·         Organize-se e faça seus planejamentos pelo menos semanalmente, tenha a sua apostila de professora e não deixe de fazer as suas anotações de acordo com a evolução de cada aluna, desta maneira elas perceberão que você realmente se preocupa com o desenvolvimento dela.

 4-       Fabi, eu sei o quanto você estudou e é batalhadora, não só para aprimorar sua técnica, como buscando contato com outras profissionais para promover festivais, shows. Você sempre foi muito aberta a parcerias e não tem problema em compartilhar conhecimento. Como tem sentido isso no meio artístico? É recíproco, ou encontra dificuldades para fazer parcerias na dança?

 Foi o que disse no começo, eu amo a dança e minha preocupação está em divulgar bem esta arte e ensinar o que eu puder. Não tenho problema nenhum em dividir conhecimentos com alunas ou com outras profissionais, não tenho problema que minhas alunas busquem outras professoras para estudar, aliás, eu até faço indicações para que isso aconteça. Faz parte de  nosso aprendizado conhecer estilos diferentes, além disso seria hipocrisia de minha parte não permitir que elas buscassem outras professoras pois eu fiz isso e achei que foi muito importante para minha carreira, por tanto, será para elas também.

Quanto á parcerias acho que poderia ser muito melhor, é complicado e por isso procuro realizar meus projetos sozinha mesmo, mas sempre que possível faço questão da participação de outras professoras em meu evento e sempre abro espaço para divulgação de todas elas em meus eventos. Quanto á isso não tenho problema nenhum. Agora estou dando prioridade de convidar bailarinas da região para dançar em meus eventos e desta maneira abrir espaço para elas também.

Aqui em São José dos Campos é mais complicado fazer parcerias, mas dou aulas em Taubaté também e sinto que lá tenho mais facilidade de fazer trabalhos com outras professoras.  

5-       Conte-nos quais são as bailarinas que inspiram seu trabalho e conduta.

 Em primeiro lugar minha eterna professora Lulu Sabongi, desde que entrei na Casa de Chá para fazer aulas estudei com ela e ela me surpreendia a cada aula. Ela tem uma humildade que muitas com muuuuuito menos não tem. Ela ensina e quer que você aprenda. Ela fica feliz com suas conquistas. Ela é segura e acredita no que faz. Ela é tudo mesmo que uma profissional deve ter e com certeza é minha primeira inspiração como bailarina e professora.

Mas eu tenho várias bailarinas que admiro e que procuro estudar, vou citar algumas: Samara (ESP), Raqia Hassan (EGI), Randa (EGI), Kahina (BRA), Carlla Silveira(BRA), Esmeraldah (DUBAI), Amara(BRA) entre outras. Temos muitos talentos e com certeza se soubermos admirar e estudar um pouquinho de cada uma, vamos construindo nosso próprio estilo e desenvolvendo cada vez mais. Eu só não citei as bailarinas mais antigas porque acho que não preciso né, com certeza serão sempre as primeiras da lista.

 6-       Como é trabalhar com seus próprios músicos? Conte-nos como funciona a escolha do repertório, os ensaios, a rotina de vocês.

 Pra mim foi e está sendo uma ótima experiência, confesso que fiquei um pouco nervosa em nosso primeiro trabalho, mas quando trabalhamos com profissionais o resultado é outro e a cada trabalho ficamos ainda mais inspirados. Iniciei o contato com o Coelho Pontes (derbake), marido de uma aluna minha, que já tem banda há anos, e quando surgiu a idéia do primeiro trabalho no show de 2006 ele trouxe o Gledson Gonçalves (cajon) para participar conosco, que também é um músico experiente. Todas as músicas são de autoria deles. Eles compõem a música passam para mim, a partir daí iniciamos os ensaios. Estamos ainda apresentando o nosso trabalho ás pessoas, e está sendo muito bem aceito, queremos aumentar a banda colocando instrumentos de harmonia e isso está acontecendo aos poucos, a cada ano fica ainda melhor. É muito gratificante para mim e mais um aprendizado, se Deus quiser vamos ter em breve nosso primeiro projeto pronto, que consiste em um show completo.

 7-       Fabi, muito obrigada por esta entrevista, fico muito feliz por este espaço e por saber que mesmo longe, nossa amizade resiste ao tempo. Desejo muito sucesso!! Fale sobre o que quiser, o espaço é seu!

 Eu agradeço o espaço que está me dando para falar um pouco sobre meu trabalho que é tão importante para mim. Me desculpe se falei demais, mas para falar sobre dança eu me empolgo mesmo...rsss...

Espero que o que falei aqui sirva de incentivo para quem tem vontade de iniciar trabalhos com a dança. Precisamos de muitas pessoas ainda trabalhando com isso. O espaço é grande e aos poucos vamos mostrando o que temos de bom. Só peço que as pessoas tenham sensibilidade quando forem fazer suas escolhas na dança. Que estudem sempre, que se dediquem e especialmente que façam com amor e pensem sempre em dar o melhor de si para receber mais ainda amanhã.

Sucesso para todas e especialmente para você Lu, que é tão determinada e batalhadora. Tenha certeza que seu trabalho é muito importante para todas nós e que ele continue levando um pedacinho de cada uma para todo Brasil.

 Mais uma vez obrigada! Beijos , Fabiana Mahasin

 

www.ciamahasin.com

 

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