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MICHELII NAHID
1- Michelli, há onze anos você dança a Dança do Ventre e fez parte, inclusive, do grupo da Casa de Chá. Conte-nos um pouco de sua trajetória na dança. Vamos tentar corrigir esta informação. A minha passagem pela Casa de Chá foram somente aulas, não fiz parte do grupo, mas tenho um imenso zelo, carinho, admiração e respeito por este local. Minha trajetória deu início em 1997, aprendendo a dança do ventre com Fatima Fontes, Lulu Sabongi, Shahar, Jade e Soraia Zayed na casa de chá Khan el Khallili permanecendo até 1999. Após o aprendizado, toda minha experiência se deu quando passei a dançar em uma casa de chá em Mogi das Cruzes chamada Raimat administrada pela minha querida Luz Marina, da qual sou grata até os dias de hoje. Venci em 1999 o Mercado Persa – Concurso Nacional de dança do ventre no qual atualmente faço parte como jurada e parceira. Ao vencer este concurso, as portas foram se abrindo mais ainda para mim em SP. Como não era de SP, mas de Poá (cidade município), as dificuldades eram imensas de todas as formas, mas continuei a persistir e confesso estar realizada. Dancei com Khaled, fiz programas de televisão a convite de minha querida dançarina Hadra (Hebe),entre outros eventos com músicos ao vivo por outra querida dançarina Dalal (Helena). A partir daí, não parei mais, lancei minha revista e fui capa do CD de Tony Mouzayek, que inclusive me proporcionou as oportunidades citadas acima, considerado por mim um grande parceiro por toda minha carreira, acompanhando e valorizando com respeito meu trabalho. Participei de alguns dvd´s como convidada e, em abril de 2.008 lancei meu próprio DVD, produzido pelo próprio Tony, meu parceiro. Quero aproveitar e agradecer a todos que fizeram ou fazem parte de minhas conquistas e principalmente ao meu marido e talentoso músico Maurício Mouzayek meu mestre de todos os mestres. Minha rotina é essa, shows e workshop´s pelo Brasil, aulas e aperfeiçoamentos em estúdios de dança, atuando também como coreógrafa e orientadora de grupo, no ensino e redes ligadas a dança do ventre. Esta é minha amada profissão! 2-Seu nome consta em meio a outros grandes nomes da dança do ventre, no espetáculo ‘Origens’ que será apresentado em Outubro. Como foi o convite para participar e nos dê detalhes dos preparativos e suas expectativas. Foi até uma grande surpresa para mim ver meu nome entre outras referências na dança do ventre. Acredito muito que um trabalho levado com seriedade e respeito tenha boas referências e fico muito feliz! Entretanto, a carga de responsabilidade aumenta ainda mais por levar este rótulo maravilhoso, não é? Agora sobre o espetáculo, a idéia de montá-lo foi da Shalimar, quando ficamos só nós 2 como juradas de um evento que a Hayat nos convidou a partcipar. Não deu outra, uma olhou para outra e a pergunta foi a mesma: Porque não nos unir e fazer um grande espetáculo??!!! Aí claro que pensamos numa terceira pessoa para esta união: a Hayat! E por conseqüência nos levou à quarta pessoa: a Lulu Sabongi! E aí não deu outra, o espetáculo está em cartaz dia 31 de outubro às 20:00hs no Teatro Santo Agostinho e, no dia 01 de novembro teremos um Festival de Workshop´s nosso!! Esperamos por todos vocês!!! Um espetáculo tradicional e de se emocionar com certeza!!!! Informações: www.michellinahid.com.br/ ou www.orienteencantoemagia.com.br/origens 2- Em seu dvd ‘Tempos’ você trata das bailarinas que fizeram história na Dança do Ventre com um olhar específico, além de falar sobre técnica, improviso e dança em grupo. Como foi a produção desse trabalho? Este trabalho levou 3 anos para ser feito, pois ainda haviam algumas dúvidas em diversas questões. Quando a minha dança passou a ser mais amadurecida através de grandes experiências e estudos, passei a ter convicção e segurança no que eu iria passar para quem fosse me assistir e não lançar algo por lançar que depois eu pudesse entrar em contradições. Faço sempre tudo com muita convicção e tranqüilidade, tenho isso como trabalho mesmo. 3. Como deve ser uma boa bailarina, para você? Acho tão pessoal falar desse assunto, mas quarto coisas eu posso acrescentar: 1. Lembrar que não nascemos sabendo, mas que fomos alunas, 2. Respeitar o tempo e o seu momento para iniciar sua carreira e reconhecer sempre todas as pessoas que fizeram e fazem parte do seu progresso, pois ninguém cresce sozinho e, 3. Saber se colocar primeiro como mulher e principalmente quando atuar como dançarina e, 4. Quando o assunto é profissional saber tratar com seriedade o valor de seu show e cachê. 4- Soube que você tem um diferencial nas aulas em relação aos trajes e músicas, poderia falar sobre isso? Acho que meu diferencial mesmo é que em meio a tanta modernidade eu nunca me permiti ser levada pelo modismo, já atuava e traçava com muita convicção o que eu queria com a minha dança. Na questão de músicas e trajes utilizo sim o mais tradicional possível que é o comum para quem espera de uma dançarina de dança do ventre, pois foi assim que meus olhos brilharam quando vi pela primeira vez uma e é assim que o público leigo aqui no Brasil reconhece uma dançarina, não imaginando que a dança passa por este processo moderno. Afinal, a dança é sempre tida como milenar por mais que o tempo passe, se perder suas características não se chamará mais de dança do ventre.
5- Analise a atual situação da Dança do Ventre no Brasil e pontue se você está satisfeita com as profissionais do mercado atual. Totalmente perdida, misturada e sem foco ou discernimentos. Minha nota é 05. Nada satisfeita, pois temos no mercado milhões de professoras e dançarinas não aptas a trabalhar com esta modalidade. É claro que dançar e brincar de aulas com suas amigas é uma coisa, agora você trabalhar com o físico sem formação nenhuma e principalmente numa dança que exige tanto do corpo... Meu Deus! Eu só sinto muito por isso, porque vai chegar um dia que essas pessoas vão inventar outra coisa para fazer e aí quem aprendeu errado como fica? Enfim, já estamos sentindos muito isso acontecer. As tidas como professoras formadas “em meses”, as quais ensinam através de seqüências exibicionistas, muitas vezes sem lógica nem estrutura para dar aulas, e que ainda intitulam as alunas por intermediárias ou avançadas (sendo que elas nem sabem definir isto, pois nem aprendeu direito). E ainda não contentes, abrem escolas especializadas nesta arte. Em relação aos Shows: comprou roupa Egípicia já pode dançar! Para que cachê? Muitas querem só aparecer. E como fica quem vive desta arte? Já pararam para pensar no tamanho do estrago que fazem com isso? Cachês mais baixos refletem uma falta de respeito com esta profissão. Infelizmente é esta situação que convivemos, mas tenho certeza que para nós profissionais que trabalhamos de verdade mesmo, existe um grande reconhecimento e respeito que nos mantém aqui firmes e prontos para atuar e contribuir para a manutenção desta arte maravilhosa e confesso, prazerosa. Arte que me permite conhecer, me aproximar, trocar figurinhas e construir novas amizades tanto profissionais e com nosso lindo público!!! 6- Fale um pouco sobre seus conhecimentos de Snujs e quais os segredos para um bom shimmie? Quando temos uma lógica para com a dança, tudo passa a se encaixar melhor. O entendimento fica mais visível e com o auxilio de um bom músico não tem como dar errado. O shimmie é a mesma coisa, aliado a música e depois seguindo por um imenso trabalho corporal intensivo e específico unidos à paciência de esperar o movimento chegar no seu melhor momento. A espera é uma coisa que hoje não acontece, o que acaba não proporcionando tanto significado e atenção, trazendo a cobrança de não executar direito os movimentos. 7- Muito obrigada pela entrevista! Por favor, deixe uma mensagem para as leitoras do meu site. Dança do ventre: Emoção que nos leva a aprender, admiração que nos leva a aperfeiçoar. Expor-se por tão querer dançar e reconhecer se nascemos para dançar, para nela nos manifestar em vida, ajudando ao próximo. Encantar a quem nos acredita e assiste. Respeitar nossos mestres, enfim, levar a arte com amor e fazer dela valer como profissão para quem nela acredita no respeito pelo próximo e que seus esforços sejam sempre valorizados! Obrigada meu Deus, Luciana Arruda pela oportunidade, e a todos que acreditam e admiram meu trabalho. Um grande abraço!!!!!!!
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