Estilo Egípcio

Por Morocco - Tradução: Luciana Arruda 

"Eu tenho ido para lá desde 64 e já vi milhares de estilos. Cada ‘estrela’ tem seu próprio estilo e personalidade. Najwa Fouad não dança como Soheir Zaki, que não dança como Nahed Sabry, que não dança como Samia Gamal, Tahia Carioca, Zeinet Alwi, Hoda Shams el Din, Nadia Hamdi, ShuShu Amin, Mona Said, Fifi Abdou, Hana, Eman Wagdi, Aza Sharif,etc. Nani não é Dina que não é Lucy que não é Aida Noor.

Não pense que toda bailarina Egípcia ou ‘estrela’ é uma boa bailarina quanto as que eu listei. Há muitas coisas que não cheiram bem e má atitudes lá fora. Graças a Deus que só houve uma Sahar Hamdi. Ela pertence a uma classe (ou cela) por si mesma, se é que você me entende. Afortunadamente, os fundamentalistas ricos pagaram a ela para ‘retirar’ em público o seu véu num programa popular num show de Tv do Cairo a alguns anos atrás.

Por que há tantas bailarinas que envergonham totalmente as suas carreiras? Porque para a economia egípcia o ‘pagamento’ é muito bom. Começou uma deterioração da ‘cena de dança’ no Cairo durante e depois da guerra do Golfo, em meados de 2000. Eu poderia dizer que lá não é mais a real ‘cena de dança’ deixada no Cairo. Eu me sinto de coração partido pois a maioria das estrelas começaram a se retirar de cena em meados de 93. Uma terrível perda na Dança!  

Agora como eu poderia caracterizar o que nós chamamos de ‘Estilo Egípcio’? Tranqüilo, confiante com muito trabalho de quadril, não ‘batendo’ até morrer. Às vezes com movimentos rápidos, às vezes com capricho, enfeitando a dança em músicas floreadas, especialmente introduções. As ‘estrelas’ usualmente têm suas próprias bandas, com muitos músicos e percussionistas. Os braços são emoldurados e há acentos junto a movimentos e direções e muita comunicação com a platéia. Aquelas que podem toam snujs (sagat), as que não podem tem alguém para tocar parta elas.

Shows extensos consistem numa Dança Oriental com vários números: folclores e qualquer pretexto para a troca de roupas. Algumas bailarinas não - orientais às vezes apresentam movimentos incongruentes (ou roupas)na busca de ser ‘diferente’ ou apenas alguma coisa que reforce sua ‘fantasia’. Um grupo de bailarinas mais jovens têm vestido calça como traje (especialmente Dina) ou roupas que parecem que vão à praia. Talvez a

bailarina aparente desconforto e às vezes, ela causa desconforto na platéia com seus trajes.

Me recordo de um incidente em meados de 90 ou 91 no Nilo Hilton Hotel no qual Dina estava dançando, num ‘vestido’ tão curto e apertado, que ela passava o tempo todo ajeitando a roupa. Muito embaraçados, um grupo de homens e mulheres do Kuwaiti disseram: “Por favor, entendam: não é assim que nos vestimos para dançar a dança oriental (sharki). Raks Sharki é uma das danças mais lindas em sua forma clássica em diversos países e não é isso”. Nós reafirmamos que sabíamos e, inclusive, concordávamos e que aquela era uma escolha pessoal dela uma escolha errada de traje. Eu disse isso e provavelmente resultaria numa saia justa, mas eu disse.

A política da Arte tem sido extremamente vigilante quanto aos costumes (trajes) para

bailarinas que não tem uma conexão com a Arte. (Dina tem essa conexão, mas às vezes os seus trajes ultrapassam o desejado).

Uma bailarina americana, dançando no Cairo, foi repreendida por causa de seu traje! Acredite em mim, você não gostaria de seu uma bailarina repreendida por policiais em seu show devido aos seus trajes! Preciso dizer que a dança oriental foi proibida publicamente e uma mulher, Sharia, só poderia mostrar seu corpo ao seu marido.

Antigos egípcios proibiram o Karsilama no Cairo, exceto em 71 num show de Negwa.Por que o Estilo Egípcio está tão popular agora? Fácil, porque graças a longa guerra civil do Líbano, o único lugar no oriente médio onde haviam vários clubes noturnos seguros, era a cena do Cairo. Um número extenso de americanas, alemãs, suécias, etc ‘migraram’ para o Cairo e agora assistem apresentações e compram vários vídeos didáticos de dança. Em alguns casos isso é bom, em outros decididamente não."

Por Morocco - Tradução: Luciana Arruda 

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