ISADORA



 1- Conte sobre sua trajetória na dança, as modalidades que cursou até chegar a essa nova etapa de sua vida, como professora de Dança Indiana na Cia Kahina de Dança do Ventre.

 Desde bem pequena tive contato com a dança do ventre, meus pais sempre admiraram muito a cultura árabe. Cresci nesse meio, me interessando cada vez mais por esse mundo tão diferente do nosso. Aos 6 anos iniciei meu estudos na dança do ventre com a professora Jamile, apesar das nossas aulas terem durado apenas um ano, continuei praticando em casa e aos 12 entrei para a escola da dança de Lulu Sabongi, na Casa De Chá Khan El Khalili. Lá tive mestras como Adriana Lima, Shahar Badri, Lulu Sabongi e Kahina. Aos 14 anos, decidi praticar outro estilo de dança que também admirava muito. A dança clássica indiana. Então entrei para a Escola Natyalaya, dirigida pela professora e grande bailarina Patrícia Romano. Lá estudei Bharathanatyam, o estilo de dança milenar indiana e bollywood, o estilo de dança moderna indiana. Entrei para o corpo de baile Natyalaya e Bollywood Grooves Brazil. Durante esse período aprendi muitas coisas, ganhei uma experiência preciosa com as apresentações e ensinamentos de nossa Guru (Mestra). Já com 17, resolvi voltar à dança do ventre e prestar a Pré-Seleção Khan El Khalili, para obter a excelência em dança e quem sabe fazer parte do grupo das grandes bailarinas de lá. Hoje estou com 18 anos e meio e a professora e bailarina Kahina me fez o adorável convite de dar aulas de dança moderna indiana e dança do ventre em sua mais nova escola Kahina Cia. De Dança Do Ventre Saúde e Bem Estar, e é com muito orgulho que faço parte dessa família agora.

 2-Sei que existem diversos tipos de Dança Indiana, entre estas Devocional, Tradicional e Bollywood, poderia explicar as diferenças e definições de cada estilo e complementar com mais informações? (se há mais estilos, por exemplo)

       A dança clássica na Índia é uma forma expressar sua devoção a Deus, contar histórias das inúmeras divindades que lá existem e ensinar ao povo como adorá-las com respeito. As modalidades da dança clássica são: Bharathanatyam, Odissi, Kuchipudi, Kathakali, Mohinyatam e Katak. Cada uma delas pertence a uma região diferente da Índia e cada uma possui características próprias, mas não se difere em beleza, riqueza em detalhes e graciosidade. O Bharathanatyam, por exemplo, se origina no Sul da Índia e seu estilo é mais complexo e agitado. O Kuchipudi parece testar as habilidades da bailarina, pois na maior parte das vezes é dançado com os pés em cima de um grande prato e com um pequeno pote cheio d’água equilibrado à cabeça. O Mohinyatam é dançado bem lentamente, explorando mais movimentos que se assemelham aos das ondas do mar. O Odissi mostra o quão graciosa uma bailarina pode ser, ressaltando suas curvas. Já no Kathakali usa-se técnicas mais teatrais, é dançado por homens com roupas muito ricas e pesadas, e uma máscara muito colorida. E por último o Katak, sua intenção maior é contar as histórias das epopéias do passado e a roupa usada não é tão elaborada. O Bollywood surge nos famosos musicais indianos, é uma dança moderna e divertida que mistura técnicas modernas com as da dança clássica.

  3- Por ser uma Dança Oriental, há semelhanças entre a Dança Indiana e a Dança do Ventre?

Não, não há semelhanças entre esses dois estilos de dança oriental, muitas pessoas pensam que elas são a mesma coisa. Mas cada uma tem sua história, seu estilo, seu nível de dificuldade e são completamente diferentes. Há alguns poucos passos na dança Bollywood que podem lembrar algo da dança do ventre, mas cada uma é cada uma.

 4-      Quais bailarinas vocês estuda e admira, na Dança do Ventre? E na Dança Indiana?

  Procuro me inspirar em muitas bailarinas ao mesmo tempo, porque cada uma tem um ponto forte que vale a pena ser estudado. Das bailarinas brasileiras, estudo muito Nur, Lulu Sabongi, Kahina, Elis e Mayara Al Jamila. Já das egípcias, minhas prediletas são Nour e Randa Kamel. Na dança indiana além da minha ex-guru (mestra) Patrícia Romano, estudo Iara Romano, Naira de Almeida Prado e Malavika Sarukai.

5-  Como foi a experiência de dançar para Tony Mouzayeck e sua banda?

  Bom, para começar eu nunca dancei com música ao vivo antes, apesar do nervoso, a experiência foi ótima. A música árabe, principalmente ao vivo é eletrizante. O Tony é uma pessoa extremamente simpática e animada, ele e sua banda sempre arrasam nas noites árabes. Espero que nos apresentemos juntos mais vezes.

  6-  Hoje em dia, há diversas opções de trajes para Dança do Ventre. O que você pensa sobre as ‘inovações’em tecidos e estampas, e onde costuma comprar os seus figurinos.

  Hoje em dia a criatividade para roupas de dança do ventre é absurda. Mas sou da seguinte opinião: Tudo é válido, se não houver vulgarização, ridicularização e se a roupa não estiver fugindo da tradição árabe. Minhas roupas são bem tradicionais, procuro variar bastante em cores e bordados, mas jamais inovei muito nos meus trajes árabes. Meus figurinos são todos feitos pela minha querida e excelente costureira mãe. Ela que fez e faz todas desde sempre.

  7- Falando sobre a Dança Indiana, qual o significado dos pés e mãos pintados com henna vermelha? É mesmo henna ou outro tipo de tinta? É utilizado em qual modalidade de Dança Indiana? Conte-nos um pouco sobre o significado dos acessórios e trajes da Dança Indiana.

As pinturas nos dedos das mãos e dos pés são feitas para chamar mais atenção do público, porque afinal, na dança indiana, contamos histórias inteiras com expressões faciais e gestos, e a tinta vermelha facilita a visualização dos chamados “mudras”, movimentos da mão. A tinta usada não é henna, é uma tinta especial para dança chamada “Alta” que só se vende na Índia. A “Alta” usada principalmente para qualquer tipo de dança clássica indiana, mas pode também ser usada para uma festa por exemplo, há quem o faça. A cultura indiana é riquíssima, para eles tudo é extremamente enfeitado, brilhante e belo. É importante que não só as bailarinas, mas todas as mulheres estejam sempre bem arrumadas com lindas jóias bem trabalhadas, sáris de seda muito coloridos.

  8-  Isadora, lembro que te conheci há alguns anos, ainda menina, por ocasião da minha amizade com seu Tio Carlos, um amigo querido e apreciador da arte da dança. Fale um pouquinho sobre essa relação com seu tio, que me parece sempre te incentivou, e sobre as amizades e contatos entre bailarinas, se você sente que existe rivalidade ou depende de cada um a sua conduta?

  Meu tio é meu pai parte 2. Ele sempre incentivou minha carreira e até hoje, me leva nas minhas apresentações, faz vídeos, tira fotos e até faz propagandas! Nós sempre tivemos essa relação e muitas amigas bailarinas, nesse meio sempre há rivalidade, porque acho que as mulheres sentem-se na obrigação de disputar umas com as outras, mas acho que essas ainda não sabem que dançamos mesmo para ser feliz. É importante que cada uma de nós mantenha uma conduta séria e respeitosa e essa rivalidade não se propagará.   


9-  Utilize este espaço para divulgar seu trabalho e fale sobre o que quiser. Obrigada pela entrevista e sucesso, sempre, viu?! Receba o meu carinho e o de todas as minhas alunas de Guararapes-Sp.

 Primeiramente, obrigada Luciana Arruda por essa oportunidade de participar desse site tão maravilhoso! Espero que gostem do conteúdo dessa entrevista, escrevi tudo com muito carinho. Para todas que quiserem saber mais sobre o meu trabalho e essas duas culturas orientais, logo poderão acessar o meu site que está em andamento com um conteúdo mais amplo e detalhado. Enquanto ele não está pronto, vocês podem entrar em contato comigo através do meu e-mail upsara@terra.com.br ou o meu perfil no Orkut: Isadora Gonçalves. Um beijo para todas e muito obrigada!


 
Mais informações: www.isadorabellydance.com.br


Entrevista realizada no ano de 2009