JU MARCONATO



 

1.  Ju, você vive na região do interior do estado de São Paulo e foi um dos grandes destaques no recente espetáculo Super Noites do Harém, no Teatro Santo Agostinho em São Paulo. Como é lembrar do inicio dos seus estudos e perceber quão longe você chegou? Fale um pouco sobre isso. (preciso contar: eu chorei, assistindo ao DVD da sua dança! Foi lindo! )

Obrigada pelo carinho amore! Bem, coisas maravilhosas aconteceram e continuam a me surpreender todos os dias. A dança em minha vide é um verdadeiro resgate interior! Bem, em minha adolescência, eu era alta, sempre ficava no fundo da sala porque era grande demais,  magra e desengonçada. Meu aprendizado na dança não foi rápido, muito pelo contrário. Quando conto isso para minhas alunas muitas não acreditam, imaginam que nasci dançando. Foi demorado, mas uma certeza sempre esteve comigo, bem ou mal, nem que eu quisesse conseguiria deixar a dança.

Em muitos momentos da minha adolescência a dança foi uma válvula de escape, foi minha segurança, meu resguardo, qualquer coisa triste poderia acontecer, mas eu ficava tranqüila pois sabia que teria  dança no dia seguinte.  Bloqueios, medos, mágoas, tudo se desfazia quando eu sorria e começava a dançar. Tenho muito a agradecer à primeira professora Cristina que era terapeuta corporal e por conta disso, meu contato inicial com a dança foi super “zen” e de certa forma levo isso comigo até hoje.

Sem dúvida o maior aprendizado foi na Khan el Khalili, o improviso, a experiência, as dicas do Jorge, etc. Lembro uma vez há muito tempo ele assistiu uma dança minha e disse “cadê sua expressão? Pode voltar do zero!” kkk, acho que isso me ajudou a prestar atenção e hoje um dos temas que mais gosto é a expressão e poesia na dança.

Quanto às aulas comecei cedo e fui aprimorando a capacidade de perceber o corpo do outro não apenas pelas aparências, mas por sua energia, isso é maravilhoso.

É muito gratificante, hoje estar ao lado de pessoas tão talentosas no elenco das Super Noites no Harém. A Khan el Khalili me abriu portas e janelas, rs. Só tenho a agradecer mesmo.

 

 2.  Seu figurino é um dos mais sofisticados, e você tem um dos primeiros – senão o primeiro- site de ateliê on line, onde o cliente pode escolher e desenhar o traje. Como é essa faceta de figurinista, de empresaria? Fale um pouquinho.

A roupa de dança é sem dúvida importantíssima em uma apresentação. Ela determina muito sobre elegância, glamour, e sofisticação. Sinto que a dança é sempre melhor quando a mulher se sente uma “deusa” com seu traje. Temos uma empresa que não para de crescer, graças a Deus. As roupas tem um estilo que agrada demais o público, pois “enchem” os olhos. Eu desenho e as ajudantes maravilhosas colocam em prática este trabalho artesanal. Nem sempre é fácil dar conta de tudo, mas sempre faço o melhor que posso dentro de minhas possibilidades. A cada dia contratamos novos profissionais para responder à demanda. O site também que já é super criativo está em estudo e reconstrução para melhor atender aos clientes. Enfim, tudo que tem a ver com dança faz as pessoas melhores, e uma super roupa sempre ajuda srs.

 

3.  Em seu site há um espaço com mensagens e dicas sobre auto-estima e reflexões importantes. Você acredita que o estudo, a espiritualidade faz a diferença em nossa dança? Fale sobre isso.

Sim importantíssimo cuidar do interior para refletirmos uma beleza que vai além das aparências. Faço questão sentar com as alunas no final de cada aula e conversar sobre temas edificantes, deixo fluir as palavras como uma Luz que passa por mim, e realmente muitas vezes eu sou a que mais precisa ouvir aquilo. Quando percebo que isso fez diferença na vida e na dança de cada uma, quando olho nos olhos de uma aluna e sinto sua mudança positiva, é fantástico. A união, os conselhos, as meditações e abraços em grupo, as lágrimas de emoção, ou quando alguém diz no final da aula “nossaaa a mensagem de hoje foi para mim”. Me sinto fortalecida e quando penso em cansar ou desistir é só lembrar de algo assim. Isso não tem preço, isso é para vida toda.

Todas nós temos uma Luz muito grande em nosso coração, quando acendemos essa Luz fica mais fácil qualquer forma de comunicação, tudo fica mais claro, bonito. Quando dançamos e sentimos bondade amorosa, nossa energia se expande e chega mais perto das pessoas. É preciso retirar a poeira, o lixo mental para podermos ir além. Quando estamos em paz, quando estamos calmas, trabalhamos melhor, produzimos mais em nosso trabalho, dançamos melhor, enfim, tudo está interligado. Não posso ferir outra pessoa, sem antes me ferir, ao jogar lama em alguém, primeiro sujamos nossas mãos.

Quando dançamos e temos bons pensamentos, “potencializamos” esses sentimentos nos outros.

 

4.  Como é sua rotina de estudos e alimentação? Conte-nos um pouco.

O espaço na agenda é bem apertado, uma correria, mas vale a pena. Vivo a dança, quando não estou pensando em música, coreografia das alunas, show, estou desenhando roupas, e assim por diante.  Adoro estudar, adoro praticar yôga e leituras edificantes. procuro me alimentar o melhor possível, como bastante rs. Dia a dia procuro comer mais frutas e verduras e deixar o excesso de “guloseimas” rs. Mas sou bem tranqüila, não me privo de absolutamente nada, como tudo que tenho vontade.

 

5.  Você tem viajado pelo país com uma série de workshops e cursos. Fale sobre a receptividade nos diferentes locais, as amizades e contatos que surgem desses momentos e se há diferenças físicas na estrutura da dança das mulheres de diferentes regiões.

Existe sim uma diferença na receptividade em cada lugar. Graças a Deus sempre fui muito bem recebida em todos os lugares. A diferença que mais sinto ocorre em termos de receptividade à idéias novas, em alguns lugares fluem temas mais profundos com facilidade, em outros casos, é preciso plantar uma sementinha e introduzir suavemente temas voltados ao interior. Sempre é bom e produtivo. Uma outra diferença é no nível técnico dos grupos, em alguns casos é preciso voltar um pouco na base dos movimentos, em outros, posso avançar mais. Realmente cada grupo é único, especial, singular. São experiências maravilhosas que tenho a oportunidade de vivenciar.

 

 6.  Muitas bailarinas que prestaram a banca da pré-seleção mencionam que você é um dos rostos mais agradáveis de se ver no momento da dança, pois você passa muita tranqüilidade e estimulo, pelo olhar. Fale um pouco sobre quais emoções alguém que avalia passa nestes momentos e como você trabalha o seu emocional, no sentido de transmitir apoio a quem está começando.

Que lindas! É verdade, procuro estar bem e visualizar o que cada uma tem de melhor, e ajudar no pontos que cada uma pode melhorar. O sorriso é a janela da alma, em um momento importante como este, as meninas pré selecionadas precisam de simpatia e carinho, sem que isso diminua nosso profissionalismo.

 

7.  Como é a Ju fora dos palcos, o que gosta de fazer, lazer, casa e marido, etc?

Bem, ultimamente estou tentando me encontrar fora dos palcos e das aulas, pois quase não sobra tempo para a vida pessoal e familiar. Minha sorte é que tenho pessoas abençoadas ao meu lado, que entendem este trabalho e me apóiam. Gosto de comer em bons restaurantes, praticar meditação e assistir filmes.

 

 8.  Há alguma dica que possa ser dada por escrito, no sentido de estudos para ter um quadril mais solto e controle dos movimentos?

Para deixar o quadril mais solto é preciso alongamento, e foco, prestar atenção no que se faz, deixar fluir para que o corpo responda ao que a mente comanda. Os quadris representam muito de nossa feminilidade, nós mulheres temos muita energia nesta região. É preciso saber utilizá-la com sabedoria. Mas a  maior dica de todas é: fazer um pouquinho por dia, assim o corpo recebe com maior facilidade o movimento na dança.

9.  Quais bailarinas são referencia para você em coreografias, delicadeza, expressão e deslocamentos?

Uma forte inspiração no início era Nájua, amava sua dança marcante e suas aulas.

Como inspiração, Lulu Sabongi sem dúvida, responsável pelo crescimento técnico na dança, eu tinha todas as fitas de vídeo dela, na época eram a maior fonte de conhecimento no país. Temos muito a agradecer a Lulu pelo trabalho que realizou no Brasil.

Das mais antigas entre tantas, adoro a Libanesa Nadia Gamal, a interpretação maravilhosa e muitos movimentos de braço, cabeça, demais. Imagine em 1983, quando eu tinha apenas 1 ano, essa mulher já ousava no palco com sua maneira tocante de dançar.

Impossível não comentar o elenco da Casa de Chá das bailarinas Noites no Harém, é tanta beleza, tanto carisma, tanta alma,  e todas tem seus pontos positivos, boas em delicadeza, deslocamento, expressão. Difícil definir uma bailarina boa em apenas uma coisa, são completas e cada vez melhoram mais. Sempre temos coisas a aprender e trabalhar e ter consciência disso nos ajuda muito.

 

10.  Ju, muito obrigada pro conceder esta entrevista. Utilize este espaço para divulgar o seu trabalho e falar sobre o tema que quiser. Sucesso e obrigada!

LIndaaaaaaaaaaaaaaa, nem sei como agradecer seu carinho e a oportunidade!Adorei o convite, fico muito feliz e emocionada.  Espero do fundo do meu coração que as mulheres que amam a dança do ventre, sejam cada vez mais conscientes e integras, cada vez mais prósperas e bem humoradas, cada vez mais sensíveis, que possamos entender a dança energéticamente, para desenvolver um  espírito de equipe.

À todas que leram esta entrevista, sintam-se beijadas, abraçadas com muito carinho...

 

 

Mais informações: www.jumarconato.com.br

 
 
Entrevista realizada no ano de 2010