JULLI



 

1- Juli, vou começar a entrevista lembrando que você foi minha primeira professora particular. Foram poucas horas de aula, mas eu ainda me recordo o quanto suas dicas me ajudaram. Fale um pouco sobre a diferença para você, como professora, em ministrar aulas para grupos e aulas individuais. Como ’quebrar’ o gelo e interagir quando apenas uma única e exclusiva pessoa te procura para aprender a dançar?

Oi Lu, primeiro é um prazer poder falar um pouquinho do meu trabalho, e eu também me lembro de você com todo carinho e dedicação que tem pela dança e são essas alunas que deixam a sua marca!

Bom o meu trabalho é voltado mais para grandes grupos, adoro dar aula para multidões, rs ! Mas a aula individual é até mais simples por que vamos direto ao objetivo da aluna, vamos melhorar desenvolver e aperfeiçoar o que ela precisa naquele momento e para que o trabalho seja perfeito é importante preparar e direcionar a aula exclusivamente para cada aluna, assim você atente tranquilamente as expectativas com relação a sua aula. E nas aulas em grupo os temas são mais abrangentes e diversificados, seguindo então o programa preparado por mim.  Para “quebrar o gelo” acredito que deixar a aluna à vontade sem pressão já é um bom começo.

 

Quem vê você fora de cena – toda magrinha, educada – não imagina o mulherão que você se transforma em cena. Há uma separação entre a ‘personagem’ Juli Bailarina, ou você apenas deixar fluir o seu jeito sensual com mais intensidade no palco?

Pois é, às vezes eu me pego pensando o quanto corajosa e cara-de-pau agente precisa  ser para  se virar em determinadas situações em cena. Com certeza existe uma personagem que tem total liberdade para se expressar no palco e acredite, eu fico admirada de ver o poder e a coragem que existe nesse momento.

 

Uma característica marcante em sua dança é a sua flexibilidade, braços e postura, bem quando eu a vejo dançar não tem como não reparar nesse corpo preparado para a dança. Qual o segredo? Além dos cuidados estéticos – diga quais são – você pratica alguma outra modalidade além da dança?

Eu faço musculação quase há um ano, adoro cuidar do corpo e da saúde.

A moda na atualidade são as aulas de balé, contemporâneo. Eu fiz jazz quando criança e procuro trabalhar o alongamento a postura, o máximo que posso, mas não sou muito fã dos exageros, para mim a dança oriental tem  que ter um “que” de Baladi, momentos de relaxamento e entrega, momento de descer do salto e curtir!

 

Folclore, Perfomances, Fusão. Plumas, jeans, mini saia. Você não tem medo de inovar e tudo o que faz, faz bonito. Como vê a influencia de outras modalidades e estilos musicais nos shows de Dança do Ventre?

Na verdade isso é uma releitura do trabalho realizado fora do Brasil. Tive a oportunidade de trabalhar fora, nos Emirados Árabes por três meses e pude viver uma rotina diária de shows, onde conta muito a criatividade e as inovações, o publico muitas vezes se repete e espera da bailarina uma performance diferenciada e  um figurino  exuberante.  Acho que uma bailarina é acima de tudo uma artista, que pode sim ir do mais tradicional ao moderno.

 

Você faz parte do quadro de estrelas da Khan el Khalili, mas também transita por outros locais de dança, inclusive deu até entrevista para um jornal na Tv Globo. Como é estar na mídia e ser reconhecida pela sua arte? Pela sua trajetória, acha que isso é resultado da dedicação e empenho, ou pura sorte?

Eu acredito muito na sorte, sou muita abençoada e muito grata por isso. E quando a sorte te da uma oportunidade, ai sim vem todo seu empenho e dedicação. Porque se você tem a sorte, mas não tem nada para mostrar, não consegue crescer e progredir no seu trabalho.

 

Uma vez você ministrou um workshop de Construçao Coreografica, que eu achei T-U-D-O de bom, falando popularmente. O mais bacana, é que ao final do curso você entregou uma mini apostila com dicas extras, resumo do curso e seus contatos. Nem toda professora tem esse capricho e essa entrega. Como você se sente melhor: Juli Bailarina ou Juli Professora? Ou ambas coexistem? Fale sobre isso...

É engraçado eu amo as duas funções  !!!  Mas por vezes eu sobrecarrego demais uma, por exemplo muitas aulas, cursos, ensaios e workshops e eu acabo passando meus shows por falta de tempo e cansaço mesmo, mas com dor no coração e me faz muita falta dançar. Como por vezes também estou mais sensível ao publico ai prefiro o aconchego das minhas alunas. Sou muito feliz por fazer as coisas que mais amo.

 

Neste ano de 2011 você completa 10 anos como bailarina da Khan el Khalili. Tambem da aulas na Shangrila House. Foi selecionada no ano de 2001 pela KK e atualmente faz parte da Banca da Pré-Seleção. Como é essa sensação, um dia você foi avaliada e hoje é quem avalia. Fale um pouquinho sobre a Pré.

É verdade, uma década merece uma super comemoração!

Sobre a Pré-Seleção, devo confessar que não é fácil, já que estamos falando dos sonhos de muitas meninas, inclusive do meu.  Para mim, foi bem difícil, porque na época o Jorge Sabongi, convidava algumas pré-selecionadas para começar a estagiar na casa de chá antes da banca, então eu já dançava, já conhecia quase todo mundo, a minha responsabilidade em ir bem era muito maior, sem contar a cobrança que também era maior, já que eu já fazia parte do grupo de certa forma. Mas deu tudo certo e para mim foi muito emocionante.

Hoje sinto que as meninas estão bem mais preparadas, e tem maior noção de que estão passando por uma avaliação, isso significa ouvir as opiniões boas ou não a respeito da sua dança e encarar a situação com respeito e saber usar esse feed back para melhorar sua dança, já que houve épocas em que algumas estagiárias apontavam o dedo para gente questionando o valor da nota, no entanto esse tipo de atitude aliado a falta de postura profissional acabam por si só tirando a bailarina do meio realmente profissional. Por vários anos, vejo a avalanche de bailarinas que iniciam estágio no começo do ano, e as que ficam realmente são as mais dedicadas que continuam a estudar e a se empenhar em sua dança.

 

Seus figurinos são sempre muito originais e criativos. Salvo engano, acredito que você foi uma das primeiras bailarinas da Casa de Chá a usar saia e bustiê com estampas florais, hoje tendência. Como é esse processo de escolha dos trajes? Há alguma preferência por cores, modelos e ateliê?

Sim, que eu me lembre foi uma sai godê de oncinha com o cinto bem fininho! Adoro coisas diferentes, estranhas e modernas. Adoro pernas de fora, me lembram as bailarinas antigas. Roupas tradicionais eu tenho poucas, por exigência de alguns eventos, como casamentos e festas típicas. Tenho uma parceria com minha amiga Simone Galassi que consegue dar vida a todos os meus sonhos!!!

 

Conte-nos um pouco sobre a viagem ao Egito.

O Egito é maravilhoso. Fonte inesgotável de estudo. Muito para se ver e pouco tempo para absorver. Eu amava aquelas noites quentes e brisas aveludadas passando pelos meus cabelos em meio a névoa da shisha. Essa é a versão romântica, e eu prefiro ficar com ela! Agora eu torço para que essa reforma democrática venha mesmo a acontecer de forma justa e tranqüila, possibilitando uma estabilidade melhor para o seu povo e para o mundo que adora passear pelas suas pirâmides.

 

Juli, obrigada pela entrevista, receba o meu carinho e de todas as leitoras do site A Bailarina. Deixe uma mensagem para todas nós. Obrigada!

Eu agradeço a oportunidade. E desejo que a magia da Dança do Ventre esteja sempre presente em nossas vidas, e que a dança venha do coração da verdade de cada uma, sem preocupações com o “outro” afinal Cada uma de nós é um ser único, original e maravilhoso, vamos dar o melhor sempre, com a certeza de que o melhor sempre estará presente não só na nossa dança, mas também na nossa vida de forma integral!  Beijos no coração !!!!

Julli. 
 
 
 
 
 
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Entrevista realizada no ano de 2011