LUCIANA ZAMBAK



1- Você é a única bailarina do estado de Pernambuco, com indicações para aula pela renomada Khan El Khalili. E tem o Padrão de Qualidade da casa desde o ano de 2006, tornando-se recentemente Bailarina Noites no Harém. Fale um pouco sobre essa trajetória e grandes conquistas.

 Estar num estado do nordeste representando a dança do ventre não é fácil, a dificuldade que temos com acesso a material didático, acessórios para dança, lugares para dançar semanalmente, dificultam nossa trajetória, mas ao mesmo tempo nos incentiva, pois tudo se torna ainda mais prazeroso por ser conquistado com muito mais trabalho e perseverança. Desde que comecei a dançar, em 2002, estudava também através dos vídeos didáticos da Khan el Khalili e ficava horas assistindo as bailarinas e sonhando em um dia poder dançar como elas. Para mim era algo difícil, mas não impossível, desde 2004 tinha a idéia de enviar o material, mas sabia que não estava preparada. Foi quando em 2006 enviei o material pela primeira vez, e obtive o resultado positivo e isso me deu asas para voar. Pensei: se consegui a aprovação de uma banca tão seleta em São Paulo, sei que posso chegar mais longe. A partir daí passei a ir para São Paulo com frenquência, entrei na escala das bailarinas da Casa de Chá e quando houve o convite de Jorge para a Noites no Harém, fiquei super feliz, pois ocorreu no momento em que eu estava me sentindo preparada e madura para encarar essa responsabilidade. E agora sei que posso chegar ainda mais longe estudando sempre!

 2-      Em seu estúdio há cursos preparatórios para prestar selos de qualidade. Conte um pouco sobre o método utilizado e qual a sua opinião sobre as avaliações e feedbacks advindos dessas certificações.

 O ano de 2009 foi o ano que mais amadureci na dança, viajei com mais frequencia para fazer aulas, realizei meu primeiro evento grande e fiz muitos contatos com pessoas da dança e tudo isso me deu mais segurança para preparar bailarinas e montar uma turma de preparação para selos de qualidade. Com a experiência que temos dentro da Khan el Khalili facilita a didática, pois sabemos de certa forma o que aprova e o que reprova uma bailarina numa banca. A metodologia é diferenciada das outras turmas, pois em um curto espaço de tempo temos que trabalhar ritmos, folclore, técnicas, etc. sem contar que temos que trabalhar bem as particularidades de cada aluna e suas dificuldades. As avaliações que recebemos são de grande valia, pois a partir do momento em que decidimos enviar o material para ser avaliado é porque respeitamos e admiramos aquele profissional e receber avaliação desse profissional enriquece bastante sua dança independente do resultado. Quando positivo, abrem-se portas para você no mercado da Dança e mesmo quando sendo o resultado negativo vem o lado melhor de todo esse processo que é você perceber o quanto cresceu com sua dança e o estudo durante aquele período foi bastante enriquecedor e o mais importante, o público percebe isso.  

3-      Quais as suas bailarinas referencia em estilo, figurino, deslocamentos e delicadeza?

 Minhas bailarinas referência hoje são egipicias e brasileiras. Em especial a Randa Kamel e Soraia Zaied, adoro ver a Randa dançar, seus movimentos marcados com muita precisão e sua técnica incontestável. Estudo várias bailarinas brasileiras e sempre que posso faço aulas com Lulu, Carlla Sillveira, Aziza, Kahina, Ju Marconato entre outras . É como uma coxa de retalhos, estudo um pouco de cada e misturado a minha personalidade monto minha dança.

 4-      Como é sua rotina de estudos e alimentação? Conte-nos um pouco.

 Dar aula para mim é o melhor estudo, pois há a preparação da aula e a preocupação que temos em passar os movimentos de forma clara para as alunas, e isso se torna um estudo, pois os movimentos precisam estar muito tranqüilos para você para que estes possam ser repassados. Não costumo coreografar minhas danças, porém escuto muito as músicas que escolho para fazer show e danço muito na semana que antecede o evento, essa é minha forma de estudar. Ouvir muita música de todos os estilos é essencial.

É até vergonhoso, mas minha alimentação não é das mais saudáveis (risos). Como muito em Mc Donalds, lancho muito fritura, tomo coca-cola todo dia, tomo cerveja finais de semana, mas tudo sem exagero e como dou aula todos os dias, minha consciência fica menos pesada (risos). Lembrei-me agora daquele velho ditado: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

 5-      Seu estudo é muito rico em ritmos brasileiros e danças folclóricas nacionais. Você pratica alguma dessas modalidades? O que pensa sobre fusão na dança?

 Moro num estado onde a cultura é muito forte, mas nunca fiz absolutamente nada antes da dança do ventre, nunca pratiquei esportes, nem fiz nenhuma modalidade de dança. Acho importante a influência de outras danças na dança do ventre, claro que com limite de não se deixar influenciar tanto a ponto de esquecer a essência da dança do ventre. Na  minha opinião, os movimentos trazidos de outras danças servem mais como um diferencial em alguns momentos da dança e também ajudam em sua estrutura, eixo, braços, giros (no caso do balé), etc. Não devemos esquecer que dança do ventre tem como ponto de partida o quadril e se deixar levar por influência de outras danças termina prejudicando de alguma forma, pois a dança do ventre é muito singular no trabalho de quadril. E muitas danças que vejo hoje tem tudo menos quadril...

  6-      Este ano, alunas suas passaram na primeira etapa da pré-seleção Khan El Khalili. Fale sobre a emoção e realização como Professora, num momento como este.

 Nossa, para mim foi um felicidade só ver os nomes delas na lista da Khan el Khalili, acho que fiquei mais nervosa por elas do que no ano que eu fiz (risos). Minha vida é a dança e ver minhas alunas evoluindo é tudo para mim, enquanto cresço como bailarina e professora, quero minhas alunas me acompanhando nessa evolução. Além da satisfação que tenho em ver minha alunas tendo aprovação na Khan el Khalili, torço para que Pernambuco tenha mais bailarinas com selos de qualidade, isso faz nosso estado crescer e ajuda a dança do ventre a ser divulgada com mais com qualidade.

 7-      Como é a Luciana fora dos palcos, o que gosta de fazer, lazer, etc?

 Não sou muito diferente, mas a timidez me domina mais quando estou fora da sala de aula e fora dos palcos. A dança me ajudou muito a superar a timidez, mas acho que ela vai me acompanhar o resto da vida e isso me atrapalha de alguma forma. Timidez e chatice andam numa linha muito tênue e quando as pessoas não me conhecem geralmente me acham chata (risos). Adoro ficar em casa assistindo um bom filme, quando saio geralmente é para barzinho para conversar e tomar um choopinho, adoro dormir, amo praia, não consigo ficar um mês sem ir à praia... Ma não posso deixar de dizer que meu maior lazer é o meu trabalho que é a Dança do Ventre!

 8-      Parabéns pela simpatia e disponibilidade. Obrigada por fornecer esta entrevista. Utilize este espaço para falar sobre o que quiser e divulgar o seu trabalho. Obrigada,Lu!

 Quero agradecer o espaço e a oportunidade de poder falar um pouco sobre minha história com a dança, fiquei muito feliz com o convite de ser entrevistada por alguém tão meiga e gentil, obrigada!  Parabéns pelo novo site, fico feliz em estar em “casa nova”!
 
 
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Entrevista realizada no ano de 2010