1-
Márcio conte-nos como a dança surgiu em sua vida.
R:
Comecei a gostar de dança quando tinha uns 14 anos, nesta época eu fazia dança
de rua com coreografias que levamos para dançar nas danceterias que na época
era San Set Club, Club da cidade e Projeto Radial e sempre fui muito ligado ao
teatro e a musicais.
Agora
a dança árabe foi por volta de 2001 e 2002 quando entrei na casa de chá Khan el
Khalili, fiquei muito encantado com toda magia, gostei muito dos ritmos, os
movimentos de corpo e tudo em geral.
Quando
dei por mim já estava tentando tocar snujs e derbak onde não tive uma boa
afinidade, ai fui passando por umas das salas de aula, que na época a Lulu
tinha um grupo de folclore mas era só feminino, e neste dia ela estava passando
um vídeo que naquela época era em VHS ainda, e quando olhei era um grupo
só de homens dançando que era o Grupo do Mahmud Rheda, foi quando eu
pensei, eu quero fazer aquilo rs... A partir dai fui em busca de informações e
professores especializados em dança árabe. Na época em São Paulo só tinha, o
Nasser que é um dos melhores dançarinos de Dabke - é sua especialidade, Tarik,
o Pierre que era músico e também fazia uma pequena participação com dança.
Por fim
achei o grupo da Tia Cecy, onde tudo começou, mas cheguei em uma época que o
grupo estava meio que terminando, foi onde fui em busca de alternativas.
2-
De inicio, você começou um pouco ‘tímido’, fazendo pequenas participações na
Khan el Khalili, agora já dança solos, faz shows...Como foi esse percurso? Qual
o método de estudo que você utiliza e com quais professores teve aula?
R: Rs... Isso mesmo, um pouco não
eu era muito tímido porque na casa de Chá nos apresentamos muito próximo ao
público então aquela situação me deixava bem apreensivo no começo, tanto que
umas das técnicas que eu usava era dançar sem lente de contato, assim eu só via
a bailarina e não o publico dessa forma eu poderia relaxar um pouco
depois você se acostuma e se solta.
Então, através do grupo folclórico que
a Lulu Sabongi tinha dentro da Khan el Khalili e na época fui convidado pela
Lulu juntamente com o Pierre Salloun a montar uma coreografia de dabke para
festa de 20 anos de dança da Lulu Sabongi.
Eu utilizo muitos os vídeos de
grupos que tenham referencias em dança árabe em geral, praticamente tenho
informações de um grande numero de países.
Tive como professores o VHS rs. Que foi
muito importante para meu conhecimento hoje, os professores que eu tive,
geralmente eram por períodos bem curto, porque era muito difícil tempo para
esses profissionais mais fiz aula com, Grupo Tia Cecy, Shahar Badri, Munira,
Nasser, Mohamed Sharim (Egypcio), Ahmed Fekry (egypcio), agora os mais recentes
foram com o Drº Gamal Seif (Egito) e Gaby Shiba (Líbano)
3-
A dança masculina tem nuances muito bonitas, mas você já sofreu algum tipo de
preconceito por dançar? E como é o assédio feminino por conta disso?
R: Infelizmente ainda existem umas
certas resistências dos homens em relação à dança, mais clássica ou mesmo para
algum outro estilo de folclore onde usamos um pouco mais de movimentos, o
interessante é que para o Dabke não existem tanto e sim existe uma disputa para
ver quem é o melhor.
O assédio é muito grande, tanto no meio
do mercado de dança oriental, quanto em shows em geral, o dançarino ou o
bailarino tem que ter uma seriedade para não deixar transmitir algo que não
seja a arte.
4-
Quais são os bailarinos e bailarinas que você admira e por que.
Eu
não tenho algum preferido (a), acho que todos são muito bons no que se
dedicarão a fazer é tão difícil dizer quais são os meus preferidos.
Mas existem dois grupos que sou
apaixonado que é o Grupo do Mahmud Rhedá e o Caracalla e uma bailarina Russa
que se chama Nur .
5-
Márcio, você já dançou em duos com as melhores bailarinas do nosso País. Tem
alguma parceira na arte que você se identifica mais, que o trabalho de dança
fluiu melhor? Como são os momentos de criação das coreografias, você também dá
palpite, idéias?
Preferidas não existem e sim a
pessoa que você tem mais química ou afinidade, quando se trata de trabalhar com
outras pessoas, tenho em mente que eu vou tirar proveito disso, porque temos
que estar sempre reciclando, e quando se trata de trabalho tanto com
bailarinas que são renomadas ou mesmo alguém que esteja começando a aparecer no
meio árabe, sempre aproveitamos algo de novo que essa pessoa possa nos
proporcionar.
No começo, eu era bastante observador,
para ter uma idéia de como era tudo aquilo, quais meios e informações esses
profissionais usavam para montar tais coreografias, foi quando tive o convite
de Lulu Sabongi e Shahar Badri, para fazer uma coreografia de Baladi que era
uma dança com arguile foi onde percebi que com estudo serio podemos montar as
coreografias sem medo de ser feliz rs...
Hoje posso dizer que a maioria das
coreografias que são montadas para apresentações de teatro ou mesmo para uma
festa árabe são discutidas por ambos, e também em alguns casos eu monto
praticamente tudo, porque sempre existem algumas modificações por conta de
movimentos um pouco mais complexos.
6-
O que você acha imprescindível em uma bailarina de Dança do Ventre para que ela
seja reconhecida como um verdadeiro talento?
Técnicas e movimentos limpos, sem
muitos exageros, carisma, segurança e a presença em cena estes são itens
primordiais, e acho que logo vem, roupa e maquiagens perfeitas, e ter controle
de seu público.
7-
Márcio lembra que no ano de 2004, tivemos a oportunidade de fazer um workshop
de snujs com o Habib (Jorge Sabongi) e foi muito bacana o aprendizado. Conte
para nós como é essa convivência com o pessoal da Casa de Chá e como você
analisa seu desenvolvimento na dança nesses últimos anos.
Nem me fale desse workshop, que
vergonha rs... Eu e a minha tentativa com snujs, a convivência com o
pessoal de lá é muito boa, porque todos esses profissionais que ali estão
sempre tem algo para passar de novidade tanto na dança como na vida
pessoal, é um grupo muito bom de se trabalhar.
Falar sobre a gente mesmo é um pouco
difícil, mas acho que de uns anos para cá através de contatos que tive com
vários profissionais: tanto brasileiro como os árabes, imagino que tive uma
evolução muito grande com relação a dança árabe, hoje sou muito mais seguro
para fazer qualquer tipo de trabalho do que no passado, hoje tenho uma visão
muito melhor do que traduz a dança oriental e sua magia.
8-
Há algum estilo preferido que você goste de dançar? E em relação a bailarinas,
você gosta de vê-las em cena dançando qual tipo de dança?
Estilo preferido hoje em dia eu não
tenho, como sempre estou estudando estilos novos fico apaixonado pelo momento
que estou vivenciando, neste momento, por exemplo, estou apaixonado por Pás de
deux, e uma dança de Port Said, que é um trabalho que estou desenvolvendo com
profissionais ótimos.
Eu adoro ver as bailarinas
dançando musica clássica, mas aquelas bem compridas de 8 a 10 min quando estão
em uma dança solo, quando são em duos ou grupos eu prefiro danças folclóricas.
9-
Dê algumas dicas para as bailarinas que sonham em passar na Pré-Seleção ou
dançar na casa, pelo que você observar na conduta de suas colegas de dança.
Elas têm que acreditar sempre no
que elas se determinaram a fazer, pois já é uma vitória para aquelas que
passaram na primeira seleção dos vídeos, e aquelas que não conseguiram para não
deixar o sentimento de angustia tirarem elas do foco pegue o que vocês acharam
de melhor e faça novamente com mais determinação.
E deixe em mente sempre que as criticas
muitas das vezes é para melhorar algo em nós, porque nem sempre um parabéns
significa que somos bons o bastante do que nos propusermos a fazer de
melhor.
10-
Percebi, nas poucas vezes que tivemos contato pessoalmente ou por telefone, que
você é sempre muito gentil e paciente. Qual o segredo para ter esse atendimento
sempre exemplar com o pessoal que te procura?
Eu estou ficando até vermelho de
vergonha, novamente muito obrigado pelo elogio, eu acho que o segredo está no
respeito que temos pelo próximo claro, existem pessoas que chegam no limite,
mas na maioria das vezes ela está ali querendo algo e quando nos propomos a
fazer algo tem que ser o melhor possível não importa o que seja, devemos esse
respeito ao próximo que esta aguardando algo de bom então não custa nada dar
isso para as pessoas.
11-
Márcio, muito obrigada pela entrevista, desejo muito sucesso! Fique a vontade
para deixar seu contato e divulgar o seu trabalho.
Eu
que agradeço e espero que consiga superar as expectativas do seu público, e
fiquei muito feliz com o convite foi um grande prazer dividir um pouco da minha
trajetória com todos.