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1- Nesrine,
mais de 15 anos de carreira, cursos, shows e viagens. Conte-nos: falta alguma
coisa ainda?
Como se sente analisando sua trajetória na dança?
Ainda
me sinto um bebê! Parece que quanto mais aprendo, mais tenho o quê aprender.
O caminho é longo e ao percorrê-lo novas direções aparecem, pois nossa
modalidade de dança é mutante. A cada dia surgem novos passos, novas
percepções da dança. Sempre teremos o que estudar.
2- Suas
escolhas de figurino são sempre muito originais e percebi, pelas fotos, que
você escolhe inclusive tons específicos,
quase sempre rosa, marrom, preto... é só impressão ou você realmente tem um
cuidado adicional na escolha dos trajes e acessórios,
como maneira de ‘compor’ um personagem? Qual a importância do traje
para você?
Tenho
um cuidado todo especial na escolha de meus trajes e acessórios. Me preocupo
em transformá-los em um elemento que transporte as pessoas para onde quero:
às vezes para um sonho; às vezes para uma festa; às vezes para uma região
específica e assim por diante. A escolha das cores, do modelo, do bordado, do
tecido são fundamentais para composição de um bom traje de dança do ventre.
Tenho a honra de poder contar com o talento de uma grande artista: Simone
Galassi. A Si além de ser uma pessoa incrível é também uma artista sensível e
de um talento incomparável.
3- Eu
assisti a dois shows seus na Khan el Khalili, neste mês de Outubro/2010 e o
que mais me encantou foi a
maneira como você olha para o publico. Pessoas presentes comentaram a
mesma coisa:
um olhar sereno, que envolve e transmite coisas boas... nem toda bailarina
consegue essa conexão. Poderia falar sobre?
Fico
muito feliz que tenham gostado. Essa é uma busca muito intensa, pois nem
sempre acontece com facilidade.
A
entrega é um grande desafio para os artistas. É a partir dela que conseguimos
nos comunicar com o público de uma maneira completa. As pessoas procuram a
arte em busca de distração e inspiração. Antes de uma apresentação tento me
concentrar em levar coisas boas para quem vai me assistir. Tenho um respeito
muito grande por meu público. |
4- Ainda pensando nos shows, sua
leitura musical está em um nível que, sinceramente, poucas se assemelham.
É tudo feito com uma limpeza de movimentos, técnica e criatividade que deveria
ser estudado. Como é o seu processo de coreografar uma dança e criar soluções
tão inesperadas?
Primeiro treino muito para ficar com os movimentos bem
limpos e para adquirir agilidade. É na hora do treino que penso em técnica,
precisão, controle, em como será a aparência final do movimento, escolho o
braço, o ângulo...
Geralmente danço de improviso. Assim, na apresentação
tento me entregar ao momento, deixando os pensamentos voltados para técnica de
lado, dando espaço para momentos espontâneos e às vezes inesperados. Procuro
encontrar sentido para cada mudança da música e traduzir o que sinto em um
movimento.
5- Sua vida fora dos palcos: tranqüila
ou agitada? Como passa seu tempo de folga; como é a Nesrine despida da
bailarina?
Sou muito tranqüila. Adoro cinema, teatro, decoração,
exposições de arte e ficar com meus gatos. Acredito que quando estamos em
contato com qualquer expressão artística aprendemos coisas que podemos usar na
nossa dança. Adoro um bom programa gastronômico também, hum....
6- Nesrine, a sua semelhança com
Angelina Jolie é fato! Conte-nos se já passou por alguma situação engraçada
devido a isso
e como se sente, sendo parecida com uma das mulheres mais lindas do
mundo. Quais os seus cuidados de beleza?
Certa vez, logo que fiz a minha segunda sessão de
fotos com o NO, o Jorge Sabongi fez uma brincadeira e publicou no site da casa
de chá Khan El Khalili minha foto ao lado de uma foto da Angelina Jolie com o
título: “Alguma semelhança?”, num quadro parecido com o que ele costuma
divulgar o “Antes e Depois” das bailarinas da casa. Depois desse dia muitas
pessoas vieram elogiar minha nova sessão de fotos, mas quando percebi, elas
achavam que o meu quadro também era do antes e depois, ou seja, que era eu nas
duas fotos!!! Uma delas até me perguntou qual era meu novo fotógrafo, e quando
expliquei o mal entendido, a pessoa achou que eu não queria dizer quem era o
fotógrafo! rsrsrsrs...
Quanto aos cuidados, passo filtro solar todos os dias;
cuido muito do meu cabelo porque ele é bem comprido; tomo bastante água; sempre
tiro toda maquiagem antes de dormir (não sossego enquanto não tirar todo o
delineador) e costumo dormir bem.
7- Cursos de Formação ou Workshops
temáticos? O que mais auxilia na busca por uma dança de qualidade?
Os dois são instrumentos valiosíssimos. Temos
que lembrar que dança é muito mais do que aprender passos novos. É importante
que a bailarina desenvolva um senso crítico para poder se posicionar perante as
questões que podemos encontrar no decorrer da nossa carreira. Temos que
preparar não só o nosso corpo, mas também nossa mente e alma. Nos cursos e
works encontramos temas que abrangem todos esses temas o que os tornam muito
importantes para nossa formação.
8- Como é a experiência de participar
da Banca da Pré-Seleção da Khan el Khalili, ver tantas bailarinas de diversos
lugares
do Brasil em busca de um sonho que você vive dentro da casa?
É muito emocionante! Mas tem pressão também. As
meninas se preparam, estudam, compram roupa nova, sonham, capricham e tentamos
avaliá-las da maneira mais justa possível. Temos que considerar todo o esforço,
mas não podemos aliviar para as que ainda não estão preparadas...ufa!
9- Quais as bailarinas que você admira
e porquê?
Tenho algumas bailarinas que estão no meu coração: amo
ver Randa Kamel e Dina dançando. Sempre que a Randa vem ao Brasil me encanto
com sua conduta perante as alunas. Ela é muito severa, mas sempre lança olhares
de ternura sobre nós alunas, o que me deixa um pouco mais aliviada já que a
aula é extremamente difícil. Tenho o privilégio de trabalhar com a Lulu
Sabongi, só de estar perto dela já aprendo algo! Poderia escrever páginas e
páginas sobre minha admiração por ela como pessoa, bailarina, professora administradora
e outras.... Lulu tem muitas qualidades.
Amo as apresentações de folclore da Priscila, da
Munira e da Aisha.
Me inspiro na filosofia de vida da Ju Marconato.
Acho a dança da Aziza impecável, ela me faz querer
estudar mais, trabalhar mais e fazer sempre meu melhor.
E minhas professoras Gracy Rojas e Shahar Badri:
bailarinas excelentes e professoras muito generosas (entre muitas outras
qualidades). As apresentações que tive a oportunidade de assistir estão
guardadas com muito carinho na minha memória. Seus ensinamentos foram
fundamentais para minha formação e estão presentes comigo sempre.
10- Muito obrigada pela entrevista.
Conte pra gente sua agenda para este final de ano e fale mais um pouco sobre o
tema
que preferir. Obrigada e sucesso!
Gostaria de agradecer todos os elogios durante a
entrevista. Fiquei muito feliz.
Espero que tenham gostado.
Gostaria de terminar com um pensamento:
“Nunca se afaste de seus sonhos,
pois se eles se forem,
você continuará vivendo,
mas terá deixado de existir.”
Charles Chaplin
Um grande abraço!
Mais informações: www.nesrine.com.br
Entrevista realizada no ano de 2010