1-
Nô, conte-nos como começou o seu trabalho como fotógrafo de bailarinas.
R:
Sempre gostei de fotografia. Desde os meus 18 anos quando comprei uma maquina
fotografica arrematada em um leilão de produtos penhorados da Caixa, comecei a
fotografar de tudo. Aos 32 anos, casei com uma Bailarina de Dança do Ventre
profissional. Como acho a Dança do Ventre muito exótica e bela, fiz alguns
trabalhos por pura curiosidade, afinal achava belo! Quando as fotos foram
divulgadas, outras bailarinas se interessaram e perguntavam se eu não poderia
fotografa-las também. No inicio, fiquei bem apreensivo, pois nunca tinha
feito trabalhos para outras pessoas, apenas para mim, ou para pessoas próximas,
agora para outras pessoas você sabe que o nível de cobrança sempre é maior (o
perfeccionismo pegando no pé). Mas felizmente, deu tudo certo, comecei a
fotografar as Bailarinas, que gostavam muito, uma conta para a outra, e aí tudo
começou.
2-
Em sua profissão, além da técnica, é preciso sensibilidade para captar o melhor
de cada bailarina. Como é para você lidar com diferentes tipos de beleza e
personalidade? Acredita que isso se reflete nas fotos?
R: Antes
de mais nada, não me considero um profissional da fotografia, apenas faço o que
gosto por puro prazer, sendo que tenho outras atividades que considero
prioritárias. Mas voltando à sua pergunta, sim, a fotografia para ser bem feita
precisa unir técnica com sensibilidade, olhar atento, direção. Nestes trabalhos
que faço, sempre procuro captar e realçar o que cada uma tem de melhor, mais
gracioso, o diferente a beleza peculiar de cada uma. Sem dúvida que a personalidade
de cada Bailarina se reflete diretamente nas fotos, assim como a ansiedade
delas no inicio do trabalho, preocupadas em mostrar o melhor, em serem
impecáveis. Sempre comento com elas no início dos trabalhos que não devem em
hipótese alguma tentar fazer expressões que não são delas tipo olhar
fatal...bocas....
3- Para
quem ainda não teve a oportunidade de fotografar com você, fale um pouquinho
sobre como funciona o seu trabalho, como é fazer uma sessão de fotos com você?
A bailarina leva os trajes, maquiagem ou você tem uma equipe que cuida disso?
Ensine passo a passo o que fazer para as que querem ter um book.
R: Os trabalhos são feitos apenas
nos finais de semana, sábados ou domingos à partir das 14:00. Para o trabalho,
ofereço o estúdio com os fundos, coloridos branco ou preto, e caso
a bailarina deseje, o maquiador. A Bailarina deverá trazer os trajes, próprios
ou alugados. Para compor com as fotos, podem-se acrescentar acessórios tais
como pandeiro, snujs, taças com velas, almofadas, véus, espada, bastões e
outros objetos que deverão ser providenciados pela Bailarina.
Para fazer um book é fácil, basta ligar
para
(11)9519-9549 (11)9519-9549
durante a semana em horário comercial e agendar um dia em algum final de
semana. Feitas as fotos no final de semana, na Terça feira seguinte, estará
pronto para ser retirado ou enviado via sedex um CD com as amostras para serem
selecionadas as fotos finais do trabalho. Entregue a seleção de fotos pela
Bailarina, após 5 dias úteis, o trabalho estará pronto para ser retirado ou
enviado via sedex ( CD com as fotos selecionadas formatadas em 10x15 cm 15x22
cm e para Internet além das fotos ampliadas em papel no tamanho 15x22 cm)
4- Como
você auxilia na produção das fotos, no sentido de combinar cores, maquiagem e
trajes dependendo do tipo de cada bailarina?Você opina, dá sugestões ou cada
bailarina decide?
R:
Sempre procuro deixar as Bailarinas o mais à vontade possível, pois acho isto
fundamental para que o trabalho flua naturalmente. Quando observo algo na roupa
ou maquiagem que acho que não vai ficar legal procuro muito sutilmente dar um
toque sempre dando a opção para a Bailarina de não mudar o que ela escolheu. Só
quando não dá mesmo , o que é rarissimo, digo com enfase, isto não vai ficar
legal. Todo o resto da harmonia, cores e roupas é muito intuitivo, monto
o esquema, analiso, não ficou legal, vamos mudar.
5-
Cite algum ensaio preferido ou conte-nos sobre a bailarina que foi mais ‘fácil’
fotografar ou alguma história ‘pitoresca’ dos estúdios.
R:
Normalmente as Bailarinas profissionais sempre são mais fáceis de fotografar,
tanto pela intimidade que elas tem com a Dança como pela presença, não se
intimidam com o equipamento fotográfico. Algumas, talvez pela graça e feminilidade,
são excepcionalmente agradáveis e fáceis de se fotografar, por exemplo a
Nesrine, July, Aziza e várias outras.
Quanto a histórias pitorescas,
aconteceu um fato extremamente curioso por volta do ano 2000. O Jorge Sabongi
da Khan el Khalili me encomendou um ensaio fotografico com uma das Bailarinas
da casa que tinha uns cabelos ruivos naturais e muito belos, a Tati. O ensaio
seria para uma capa de revista onde ela deveria estar deitada. No estúdio
montamos a pose, e ajusta daqui, ajusta dali e depois de um bom tempo, saiu uma
pose muito bela onde a Bailarina estava deitada com os cabelos ajeitados em
volta de toda a cabeça como se fosse um Sol e com um dos braços cruzando o
peito, colocando a mão no ombro e o outro braço cruzando o abdomem.
Um mês após o ensaio, vi em casa em cima de um armário, a cópia xerox de
um livro estrangeiro, e que na abertura do livro havia uma gravura (não
era uma foto) de uma mulher deitada com os cabelos dispostos ao redor da cabeça
com um Sol, e com os braços exatamente nas mesmas posições da foto que havia
feito. Por um instante não entendi nada, fiquei perplexo e até hoje ainda fico
pensando, foi coincidencia? Como pode?
6-
Nô, além de fotografar bailarinas você também realiza outros trabalhos? Fale um
pouco sobre sua rotina.
R:
Como já mencionei anteriormente, fotografia não é minha atividade
principal, sou Engenheiro e administro uma empresa. Por isto, faço os trabalhos
fotográficos apenas nos finais de semana, em um estúdio que montei dentro
da empresa.
7- Para
você, o que uma bailarina precisa ter no momento de fazer seu álbum de fotos,
não só em relação a diversidade de trajes, mas a postura, gestos, expressão.
Conte um pouco.
R: Antes
de mais nada, personalidade e presença além é lógico, de graça,
feminilidade e criatividade.... acho que estou exagerando ! isto é a Bailarina
perfeita!!!! Mas se tiver um pouco de cada uma destas características, já ajuda
bastante.
8-
Sobre a parte técnica, fale sobre equipamentos, flashes, luz. Mostre o universo
de um estúdio, quais marcas utiliza, o que prefere.
R: Quanto ao equipamento, comecei
utilizando uma Nikon velhinha, depois passei para outra Nikon com autofocus,
depois introduzi paralelamente uma Nikon digital para auxiliar no trabalho, e
quando fui comprar uma Nikon digital mais avançada, ops..! esbarrei nos preços
altíssimos. Daí não tive outra opção, comprei uma Canon 300D, digital com
preço acessível e vendi todo equipamento Nikon e comprei tudo Canon. Hoje
trabalho com uma Canon 20 D com lentes profissionais que proporcionam uma
qualidade excepcional ao trabalho, e tenho algumas unidades de flash Atek
, mas sempre procurei “me virar com pouco” ou seja, meu primeiro flash,
eu mesmo construí, os fundos eu mesmo pintava (hoje uso outra técnica) e por aí
vai!
9- Nô,
obrigada pela entrevista, fale sobre o que quiser neste espaço. Sucesso!
R: Agradeço a esta oportunidade
de contar um pouco desta história de paixão que tenho pela fotografia. Fico
contente também com o titulo que me foi atribuído no início da entrevista
“Fotógrafo preferido das Bailarinas!” Obrigado e sucesso à você também!