RAFA EL NUR

 

 

1-    Rafa, você prestou três vezes a Pré-Seleção Khan el Khalili até ser aprovada. Fale um pouco sobre esse sonho, a realização dos mesmos e todas as emoções nesse percurso.

Pois é, passei de terceira e te falo, se eu não tivesse passado eu tentaria novamente, só quem faz sabe o quanto é gostoso e válido. Imagine você sendo avaliada por bailarinas que você admira?

No começo não foi fácil aceitar que não havia passado, eu pensava que era uma excelente bailarina, me lembro muito da Lulu falando que quem não passa não quer dizer que seja uma péssima bailarina, só não está como padrão que a Casa de Chá procura. Mas até isso entrar na sua cabeça demora, pois a cobrança em cima é muita, não só dos outros mais suas. Lembro de me sentir super triste, mas isso me fez querer cada vez mais e provar a mim mesma que eu conseguiria, mesmo algumas pessoas dizendo o contrário.

 2-    Como é ser bailarina e lidar com padrões de estética e vaidades do nosso meio? Tem alguma dica especial para o bom relacionamento com as colegas?

Cresci na dança ouvindo a minha professora dizer que gordinha só ela... rsrs...acho até engraçada lembrar disso. A dança é para todo tipo de mulher, não importando o seu físico, porém quem é profissional nessa área sabe que existem sim padrões impostos pelo público, que, diga-se de passagem, é exigente. Fujo desse padrão por não ser magrinha, mas por ter tatuagem. É importante você ser segura de si e saber que tipo e roupa fica bem e você, nunca me deixei abalar pelo que falam, sou assim e busco o melhor para mim. Entrei na dança e aprendi a me amar da forma como  sou e buscando sempre melhorar, o ego muitas vezes leva você a pecar, por isso falo que precisamos ter discernimento para crescer enquanto profissional da forma mais honesta possível. Há espaço para todas. 

3-    Você mora em Fortaleza, mas é Paraense e sempre viaja para aperfeiçoar os estudos em São Paulo. Há diferenças fora do eixo Rio-São Paulo? Como é a dança em seu estado?

Há diferença sim, as bailarinas que estão no eixo Rio-São Paulo e nas proximidades, tem maior facilidade de fazer aulas, workshops, pra gente viajar daqui do norte e nordeste é difícil e caro, pois nem todas vivem só da dança e não vale a pena ir para ficar pouco tempo, o bom é ir e fazer muitas aulas, freqüentar ambientes de dança. Quando eu vou, volto quase com overdose....rsrs...mas se você for a um evento de dança aqui no nordeste, vai ver o quanto a dança ganhou espaço. Temos excelentes bailarinas aqui. 

4-    Conte-nos como é o processo de preparo para o seu evento WorkFest, pioneiro em seu estado.

O workfest surgiu em uma conversa com amigas, todas bailarinas do nordeste, depois de participarmos de um evento em SP, nesse evento ouvi de umas bailarinas que no nordeste a dança era fraca e não se tinham boas bailarinas. Imagine você, que já foge dos padrões do que se espera de uma bailarina, ouvir uma coisa dessas. Então decidimos que, como SP, o nordeste também poderia ser um pólo de dança...e foi aí que fizemos, eu e a Titi, minha parceira de todas as horas, decidimos que traríamos a grande Lulu Sabongi. Não imaginávamos a proporção que o evento tomaria no nordeste, hoje estamos indo para a sua 6ª edição com a presença da Aziza, mas por ele já passaram nomes como: Lulu Sabongi, Shahar Badri, Pierre Salloum, Nur, Kahina, Polimnia Garro, Nuriel, Soraia Zaied e Jorge Sabongi. Porém além da importância desses nomes abrilhantando o evento, temos a presença do norte e nordeste em peso, todos os anos no mês de setembro. Aproveito para convidá-la, você e a todos os amantes da dança. Uma das coisas mais legais de fazer eventos são as amigas que você conquista...isso é o que tenho de mais precioso na dança.

5-    Dentre as bailarinas de dança do ventre, quais as suas preferidas e por que?

Nossa muito difícil responder. Acho que todas têm seus potenciais, nós só temos que aprender a tirar o que nos agrada de cada uma. Mas é obvio, tem sempre as que admiramos, e eu tenho muitas, muitas que respeito pelo que são e fizeram pela dança.

  6-    Qual o seu estilo favorito de dança? Clássica, percussiva, etc.

Amo a música clássica, desde que aprendi o que era uma clássica de verdade...rsrs...mas acho q cada uma tem seu charme e emoção.

 7-    Você trabalha com comunicação e exerce a dança, há momentos em que dança e comunicação se fundem? Como utilizar noções de comunicação para aprimorar nossa dança ou marketing pessoal?

Acredito que a dança é uma forma de comunicação, nós temos que aprender a dominar o olhar, por exemplo, dependendo da forma como você olha alguém na platéia, ela pode encarar aquilo de mil formas. Já vi bailarina mudar sua vida pessoal depois da dança, ficando mais segura e sem tanta timidez. Se você tiver bem com você vai demonstrar isso na dança, é difícil esconder as emoções quando se dança. Só precisamos tomar cuidado para não deixá-la vulgar nem que a platéia se sinta afrontada.

8-    O fato de morar em outro estado dificulta ou facilita o acesso a cursos e trocas de experiências com demais bailarinas? Como você sente a receptividade em relação a contatos e trocas de experiencias com demais bailarinas?

É sempre mais difícil e só força de vontade não dá. Mas acredito que esse crescimento da dança no norte e nordeste deve-se a bailarinas que abriram esses caminhos entre Nordeste e Suldeste tanto viajando quanto se dedicando a preparar grandes eventos aqui. Posso dizer que tenho grandes amigas na dança, que se tornou um hobby mais do que profissional.

Sempre fui muito bem recebida pelas bailarinas de SP e outros Estados, até fico na casa de algumas, também do jeito que sou faladeira e expansiva seria impossível não falar comigo, pois você viu, não paro de falar....rsrsrs

E a internet ajuda bastante né, você já começa uma comunicação antes de chegar lá.

 9-    Utilize este espaço para fazer sobre o que desejar. Muito obrigada pela entrevista e sucesso!

Sinto-me muito feliz de ter contribuído com a dança no nordeste, só peço que essa nova geração levante e respeite a dança como ela merece de fato. Agradeço sempre a todos que de alguma forma, positivamente ou negativamente, me deram força para me tornar quem sou como bailarina. Sempre que alguém disser algo que você não queira ou não espera ouvir, reflita sobre e guarde só o que te ajude a melhorar, às vezes uma crítica vale muito mais do que um elogio. Quando você se sentir desestimulada, lembre sempre de quem você é, da sua trajetória, da sua história, e permita-se, sempre. Obrigada pelo carinho, por ser tão amorosa, um dia vamos dançar juntas.Mil beijos




 
Mais informações: Facebook
 
 
 
Entrevista realizada no ano de 2010