SUHEIL



 

 1-     Suheil, mais de vinte anos de carreira, dvd’s lançados, um método acadêmico, agora seu retorno à São Paulo com novos projetos à vista. Um momento reflexivo: valeu a trajetória até o momento? O que espera do futuro?

 Sim, valeu, claro! Não sei quem dizia “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Sempre existe aquilo que eu poderia ter feito, poderia ter melhorado, poderia... verbo no passado. Acredito acima de tudo na lei do Universo: se não fiz, não era o momento. Se não recebí, não era pra ser meu. Do futuro espero apenas aquilo que ele me reserva e se possível, conseguir colher o que planto sem nenhuma “geada” para estragar a colheita...  Espero poder dançar até meu último dia de vida nesta encarnação – e desde o primeiro na próxima! Não sei como seria viver sem a dança, não apenas a Oriental, mas a dança em toda a sua plenitude.

2-     Você é a única brasileira qualificada pelo BellyDanceSuperstars. Seu DVD tem o mesmo estilo dos da IAMED. Como foi esse processo de reconhecimento e imersão internacional e em que medida ele auxiliou no seu desenvolvimento até os dias atuais.

 Tudo na minha vida parece acontecer sempre em um processo muito natural... O processo internacional também foi assim. Estava num workshop da Luxor quando Sahra Saeeda disse ter gostado muito de me ver dançar e me convidou para gravar um video em Los Angeles. Quando eu ví, já estava lá! E assim foi também com Jillina, com a qualificação nas Superstars, com a ida para a Europa, com tudo...

Com certeza isso ajudou muito no reconhecimento do meu trabalho dentro do meu país; as vezes parece que é preciso se destacar lá fora para te darem valor aqui... Mas acho que faz parte (acho que isso tem a ver com a pergunta 04! Rs...)! Minha única regra é buscar sempre a evolução, na dança e na vida, então para isso busco exemplos: bons e maus. Tudo é aprendizado.

3-     Vivemos uma época de estilos variados na Dança do Ventre, entre fusões, modismos e tendências. Qual a sua opinião sobre as transformações da nossa arte ao longo dos anos?

 A evolução faz parte da vida. Ninguém mais dança ballet como Ana Pavlova e os balés de repertório sobreviveram. Isadora Duncan influenciou toda uma época, Baryshnikov deslumbrou o mundo, e assim mil outros exemplos. Por que apenas a dança do ventre não iria evoluir? Sempre esperei por este momento, sabia que um dia ele viria e acho ótimo ele estar acontecendo! Acho que estamos vivendo apenas o começo de uma grande e benéfica mudança que está por vir dentro desta arte milenar! Achar que o “novo” anula as tradições antigas ou fere a história, ao meu ver, é um pensamento muito pequeno.

4-     Você conseguiu estabelecer sua carreira alheia a selos e padrões de qualidades brasileiros, criou seu próprio método de ensino e transita por todos os meios com um estilo único. Há vantagens e desvantagens em optar pelo estilo próprio e seguir dessa maneira, ou há momentos em que você gostaria de estar ‘linkada’ a alguma instituição, casa ou estilo? Fale sobre isso.

 A trajetória de minha carreira profissional sem a ajuda destes selos, foi de fato muito difícil. Cheguei a pensar em desisitir várias vezes. Mas o amor foi maior. Meu comprometimento sempre foi comigo mesma e com a missão que acredito que cada um de nós vêm a este mundo para realizar. Mas acima de tudo, acredito que a dança NÃO deve seguir um padrão, pois cada uma de nós têm sua história, sua vida, sua personalidade... e isto DEVE ser refletido em seu estilo de dançar, o que assim, nos torna sempre únicas em nossa arte. Então nunca quis um destes selos, sou teimosa desde criança! Rs... E minha teimosia com certeza me fez ter que trabalhar em dobro. Abrir caminho muitas vezes foi extremamente doloroso... E ainda é! Mas faria tudo de novo

5-     O método Suheil de Dança do Ventre completou 10 anos. Conte-nos sobre como surgiu o método e porque ele ainda não é amplamente utilizado / divulgado no Brasil.

 O método surgiu praticamente desde minha primeira experiência como professora, ainda na escola de Shahrazad (1987), onde como bailarina clássica, achava aquela forma de ensino “insana”. Após 12 anos “reinventando” novas formas de lecionar, formatei um curso e comecei a colocá-lo em prática em 1999. Turmas se formaram, profissionais se estabeleceram e a coisa foi crescendo (mais uma vez naturalmente) até que o método enfim começou a ser procurado por profissionais que vinham de outras escolas e queriam uma didática de ensino diferenciada e que tivesse resultados comprovados. Assim também surgiu o curso de formação para professoras pelo método acadêmico. Se hoje ele ainda não é amplamente utilizado / divulgado no Brasil, acredito que seja porque acima de tudo, dentro da dança do ventre, existe um conceito de ego muito grande nas profissionais. Como se usar o método que outra pessoa criou, de alguma forma diminuísse a profissional, o que convenhamos, é um total absurdo! Se isso fosse verdadde, não teríamos métodos tão conhecidos em outras formas de dança, como jazz, ballet e até no hip hop! Mas isto está mudando. Hoje temos profissionais que utilizam o método em São Paulo (interior e litoral), Brasília, Florianópolis e Sergipe. Infelismente têm também aquelas que usam o método mas não o divulgam pelo motivo citado anteriormente. Tudo bem! O que de fato importa é, saber que de alguma forma, mesmo que secreta, estou ajudando professoras a ensinar com mais conciência. Acho que aos poucos isso tende a mudar. Inshallah! Rs...

6-     Você possui uma rotina de estudos para aperfeiçoamento? Quais bailarinas admira e estuda e por que?

 Sim, estudo muito e de tudo!! Sou uma devoradora de livros, videos, aulas... Sempre que posso frequento aulas de dança, seja ballet, jazz ou que estiver ao meu alcance! Na Republica Dominicana estudei Merengue. Quando viví em Cuba me aperfeiçoei em Salsa e Cassino. Na Espanha fui me misturar com os ciganos para aprender Zambra. No Havaí aprendí Hula ... e assim por onde vou me abasteço de DANÇA, não importa qual! Fora do Brasil estudo com quem estiver ao meu alcance. Acho que passei por TODAS as professoras americanas enquanto estive lá. Acredito que sempre aprendemos algo, mesmo que seja “o que não fazer”! Para o condicionamento físico (afinal meu corpinho não é mais tão jovem....) faço Pilates, tenho um treinamento personal com pesos e alongamentos diários (porque tenho um problema de saúde sério que não me permite relaxar) e corro para eternamente vencer a balança... Na dança Oriental sou uma aficcionada pelas bailarinas da antiguidade. Mas meus treinos levados mais a sério quase sempre são a base de Raquia Hassam... e com a centena de dvds que tenho em casa!

7-     Seu blog e site são atuais e de fácil acesso. O que pensa sobre a facilidade de comunicação e troca de experiências e opiniões? Acha que o meio da dança do ventre sabe utilizar de maneira proveitosa e ética a rede virtual? 

Procuro ser uma profissional de vanguarda, daí meu site que existe desde 1997, estar sempre buscando um sistema novo. Quanto a blog, orkut, twitter... relutei bastante em tê-los, mas acho que mais pela dificuldade em manejá-los e pelo trabalho extra que nos trazem! Mas estou lá! Acho fundamental acompanhar esta nova forma virtual que estamos vivendo. O mundo gira e se não vamos com ele acabamos ficando pra trás! Mas não acho, infelismente, que nosso meio já saiba utilizar isso tudo de forma proveitosa. Chego a ficar deveras irritada com a quantidade de “falsas profissionais”, “guruas de orkut” e coisas do gênero que se utilizam de leigos, de mentiras e artemanhas para auto promoção, plágios sem fim, baixarias e brigas na internet... Temos muito ainda pra aprender!

8-     Suheil, fale sobre seus projetos para este ano, que já esta quase acabando.

 Bom, meu studio está pronto e por ser em Sampa resolví que ele seria maior que os anteriores. Mas não quero uma nova escola. É só meu “espaço sagrado”, aonde ensaio, gravo os novos dvds da coleção Lição de Casa e posso lecionar para que quiser estar aprendendo comigo. Graças ao bom Deus a agenda deste ano está praticamente fechada, só sobrou o fim de semana de eleição, meu aniversário e 1 fim de semana em dezembro que ainda está aberto. Estarei circulando por Manaus (AM), depois alguns cantinhos de São Paulo, vou novamente a Natal (RN), danço como convidada de Amir Thaleb na Argentina. Daí têm também Nova Friburgo (RJ), estarei novamente com Jillina na Luxor, enfim... Que delícia! Só falta você me levar praí! Rs...

9-     Deixe-nos uma mensagem sobre o que a dança significa para você. Muito obrigada por participar! Sucesso!

 O que a dança significa pra mim? Tudo! Enquanto eu conseguir tocar um único coração que seja, lá na platéia, e levar alegria até ele, estará valendo a pena! E quando não for mais possível, dançarei para mim e para as minhas Deusas e Dakinis. Dança pra mim é vida, energia em movimento, uma forma de conseguir expressar minha emoção mais pura... de alimentar a minha alma. 

Eu é quem agradeço esta oportunidade... Muito obrigada por me abrir este espaço. Que o Universo lhe presenteie em dobro o sucesso que me desejas.

 Muita luz!
 
 
Mais informações: www.suheil.com.br
 
 
 
Entrevista realizada no ano de 2010