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O
‘ZAR’ Tradução: Luciana Arruda
1.História do ‘Zar’
O Zar de fato é uma cerimônia de
transe do Norte da África. No
Oriente Médio é tecnicamente proibida pelo Islam, mas continua sendo
essencial para a cultura. Os primeiros registros da cerimônia do Zar
datam de 1820, na República do Sudão e foi oficialmente banida de lá em
1992, mas até então se propagou pelo Oriente Médio principalmente no
Egito, Grécia e Roma.
A palavra ‘ZAR’ vem do árabe
‘zara yezuru’ de ‘visitação’, referindo-se a ser ‘visitado’
ou possuído por um espírito ou demônio. É conhecida como a ‘Dança
do Transe’ pois é realizada por mulheres e usualmente em ambientes nos
quais alguém sofre de problemas emocionais, mentais ou psíquicos.
Originalmente era realizado em vilas por mulheres que seguem uma
‘mestra’ que ocupa a posição de coordenar o ritual, que seria
basicamente através dos ritmos e da dança com o objetivo de afastar,
educar ou receber espíritos.
2.A Dança
O
Zar não é uma dança folclórica. É uma dança ritualística,
originalmente uma dança de cura, com o propósito de purificar e
celebrar. A conduta da dança deve incluir: ritmos marcados e repetitivos
(o que induziria ao estado de transe), giros e movimentos de cabeça, mas
principalmente os giros.O Zar pode ser dançado como uma mostra da cultura
de uma região ou de um povo, mas deve ter o seu significado exposto.
Antigamente só era dançado quando havia casos de necessidade, mas
atualmente as apresentações de Zar não seguem o objetivo original. O
ritmo utilizado que mais se adequa aos propósitos é o ‘ayoub’. Os
movimentos são realizados com o torso e acelerados, e giros em volta do
altar que geralmente faz parte da decoração (no sentido originário o
altar era consagrado aos espíritos) a bailarina gira como se estivesse
caindo, jogando os braços para o alto; a dança inicia-se com a bailarina
sentada e aos poucos e de acordo com a cadência rítmica ela se levanta e
começa a girar. O traje
usualmente é na cor branca, vestidos e acessórios com moedas na cabeça
e quadris; ela utiliza hena nas mãos e no corpo e pinta os olhos, o
perfume é um fator essencial, a bailarina do Zar deve utilizar essências
de flores e no espaço da dança -que deve ser amplo- deve haver
flores,frutas, velas e incenso. Tradicionalmente,
a história conta que deve-se agradar os espíritos com moedas e
ornamentos, e pode-se pendurar na barra do vestido anéis ou outros para
estar protegida durante a dança. No
Egito, o Zar é realizado nas ruas por algumas mulheres, e há altares com
flores e frutos e a bailarina usualmente deve girar três vezes em volta
do altar. O Zar é considerado no Cairo como uma dança ‘infiel’ que
deveria ser abolida, por ser supersticiosa. As famílias financeiramente
falidas são as que mais praticam o Zar como forma de sustento. Há
algumas regras para o Zar: deve haver uma guia ou mestra que conduz a
cerimônia, ela é quem indica o momento de parar de girar e segura as
participantes para não caírem; este é um ritual que precisa ser
entendido no contexto total da experiência, ou seja, um grupo de mulheres
que se unem em torno de um ‘paciente’ e através da dança, seus
movimentos e o altar consagram para a cura; as famílias que praticam o
Zar às vezes o fazem simplesmente para unir seus familiares e celebrar a
comida e a vida . Segundo
o Professor de História do Animismo no Islam Macdonald: “Há três
coisas que podem atrair a boa ou má sorte que devemos conhecer: um
casamento, um funeral e o Zar.” **Traduzido por: Luciana Arruda** (sob registro em Direitos Autorais- Mantenha a Ética não reproduza nem copie sem autorização) |